Conhecer pessoas de diferentes nacionalidades, viajar por vários países, andar sempre bem vestido e com um sorriso nos lábios. Em geral, esta é a imagem que as pessoas têm de um comissário de bordo. A coordenadora de um curso de comissário em Londrina, Maria Angélica da Silva, garante que a vida de um profissional da área não é tão fácil assim.
Além de passar por treinamentos duros e intensos para se formar, Angélica conta que é importante ter um desapego à família e aos amigos. ‘‘É preciso entender que o comissário não mora na terra, mas no ar’’, resume. Ela observa que a profissão exige uma disciplina rígida, além de equilíbrio para suportar todo tipo de situação.
Até o início da década de 90, as próprias companhias aéreas recrutavam candidatos e faziam os cursos preparatórios. Hoje, segundo Angélica, este processo está terceirizado, daí a razão de surgirem escolas ou cursos de comissário de bordo. Concluir o curso não significa que a pessoa está com vaga garantida na companhia aérea. O aluno-comissário precisa se submeter ainda ao exame do Departamento de Aeronáutica Civil (DAC). Só após a aprovação nesse exame é que o candidato pode tentar um emprego em uma empresa.
O curso coordenado por Angélica é ministrado para 20 alunos, no Colégio Integrado (área central). As aulas tiveram início em abril e devem durar seis meses. Etiqueta, teoria de vôo, primeiros socorros, medicina aeroespacial, sobrevivência na selva são algumas das disciplinas ensinadas durante o curso.
O curso do Colégio Integrado é um dos dois existentes em Londrina, uma cidade que não tem tradição no setor. O diretor-geral do estabelecimento, Dinocarme Aparecido, garante que existe mercado para os formandos. ‘‘Antes de implantar o curso, fizemos uma pesquisa de mercado e constatamos que hoje os cursos existem somente nas capitais’’, alega.
Franciele Fátima dos Santos, 20 anos, é uma das alunas do curso e diz estar bastante entusiasmada. A exemplo dos outros colegas de turma, ela resolveu começar a estudar por achar a profissão fascinante. ‘‘Eu quero conhecer culturas e lugares diferentes’’, resume. Fabrício Janjacomo, 19 anos, outro aluno, conta que morava antes em Penápolis (SP) e, passeando por Londrina, ficou sabendo do curso. Como a família acabou se mudando para cá, ele começou a estudar para tentar ser comissário. ‘‘Eu sei das dificuldades da profissão, mas é isso que eu quero’’, garante.(L.O.)

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