Se a Pedra é coração do Ceasa, as artérias são os carregadores. Tão importante é o transporte que cada produtor tem seu próprio carrinho. Alguns tem quase uma frota, pintada caprichosamente de cores fortes e com o número da pedra ou sítio gravado nas laterais. Quem não tem frota pode alugar. O serviço custa R$3 por dia.
''Mesmo quem tem as vezes acaba precisando quando o movimento é grande'', diz Ivair dos Santos Vieira, 30 anos, proprietário de 61 carrinhos. O serviço, segundo ele, é antigo. ''Meu pai foi o primeiro construtor de carrinhos do Ceasa'', conta. A saber, um carrinho novo custa R$350.
O Ceasa não funciona sem carregadores porque, apesar do espaço, não tem como todo comprador encostar o caminhão do lado do espaço co-produtor. E se a rotina dos agricultores é puxada, a dos carregadores - são quase 600 - é quase uma maratona.
Para Antônio Alves, 40 anos, a maratona começou quando ele tinha apenas 13 anos. ''Tinha uma feirinha no Jardim Leonor e comecei por lá'', conta. De lá para cá, Alves já carregou milhares de toneladas. Para cada viagem ele chega a levar até 600 quilos de caixas empilhadas no carrinho de uma roda só.
O dia para ele começa de noite, às 2h30. ''Chego às 3 horas, fico aqui até as 11 horas e vou para casa almoçar'', conta. Chega por um dia? Não, não chega. ''Volto as 14 horas e fico até as 19h30'', completa. Ele ressalva, entretanto, que nas terças e quintas, dias de menor movimento, ele também trabalha algumas horas a menos.
Graças a essa maratona diária, Alves tem uma compleição de fazer inveja a muito halterofilista de academia. ''Olha para me derrubar só se for no revólver porque se for no braço é difícil'', brinca.
Como a maioria dos carregadores, Alves é autônomo. Com as diárias consegue ganhar cerca de R$ 500 mensais. Nunca tem férias nem 13º salário. ''Acho isso errado, tinha que ter um sindicato, alguma coisa, a gente tem que pedir para Deus para nunca ficar doente, senão, já viu'', argumenta.
Apesar das dificuldades, ele nem pensa em mudar de profissão e diz que até tentou. ''Já saí daqui para entrar em uma firma, mas não aguentei ficar 15 dias. Não gosto de ficar fechado igual presidiário, aqui é gostoso porque é livre'', fala. (A.S.)

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