Carreata divulga suposto erro médico
Familiares e amigos da enfermeira Maria Jeir da Rocha, de 67 anos, percorreram as principais ruas do centro de Londrina em carreata para divulgar um suposto erro médico que teria comprometido a vida dela.
Submetida a uma cirurgia em 23 de julho de 1998 para receber uma ponte safena e uma mamária, no Hospital Evangélico de Londrina, ela teria perdido 90% da capacidade renal, três dedos da mão esquerda e sofrido prejuízos no fígado, basso e pulmão, em consequência de uma contaminação por mercúrio, segundo afirmou ontem o irmão da paciente, o publicitário Daniel Rocha.
Segundo o publicitário, o mercúrio teria entrado na corrente sanguínea de Maria Jeir devido à imperícia na utilização do manômetro de mercúrio, equipamento que controla a pressão arterial. Ela está em fase terminal com poucas chances de sobrevida. Como se não bastasse, seu tratamento acarretou em uma dívida que chega a quase R$ 19 mil. O problema é que nem o hospital nem os médicos estão ajudando a custear o tratamento, apesar da obrigatoriedade judicial.
Uma liminar à ação sobre o caso obriga a cobertura dos custos médicos e hospitalares por parte dos acusados de terem cometido o suposto erro médico.
A família e alguns amigos usaram 13 carros e circularam pela centro com faixas, cartazes e alto-falantes, das 11 horas às 15 horas. Apesar do caso estar sob segredo judicial, ninguém pode impedí-los (a família e os amigos) de expressar sua revolta. É um direito constitucional garantido a todo cidadão, disse a advogada da família, Fabiane Norah Schinaid.
No ano passado, a paciente ingressou com ação na 3ª Vara Cível, com pedido de antecipação de tutela (uma espécie de liminar), reivindicando ressarcimento por danos morais, estéticos e materiais. São mencionados na ação o Hospital Evangélico e os médicos Celso Otaviano Cordeiro, Eliza e Francisco Gregori Junior. Deferida pelo juiz Vitor Roberto Silva, a tutela garante pensão de R$ 800 por mês, uma enfermeira dia e noite, medicamentos e o pagamento de todas as despesas hospitalares.
A cirurgia foi feita por uma equipe chefiada por Cordeiro, conforme o médico admitiu à Folha. Ele, porém, disse ontem que não tem qualquer responsabilidade sobre o que aconteceu com a paciente.
A contaminação pelo mercúrio ocorreu no pós-operatório, do terceiro para o quarto dia, enquanto a paciente estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), afirmou Cordeiro. Cordeiro informou que vem cumprindo a liminar e depositando em juízo dinheiro para custear o tratamento de Maria Jeir.
Na época da operação, os médicos Eliza e Francisco Gregori Júnior, junto com o restante da família, estavam no Uruguai, em viagem de férias, conforme comprovam judicialmente através de passaportes. Ontem, por telefone, Gregori, que está atualmente na Argentina, conversou com a Folha sobre o assunto.
Ele e a esposa teriam sidos incluídos na ação apenas por integrarem a equipe cirúrgica da área em que a paciente foi operada. Gregori também disse que os médicos, apesar de não reconhecerem o erro, estão repassando para a família da paciente o valor determinado pela Justiça. Segundo o profissional, o pagamento é por uma questão de humanismo: Estamos pagando aquilo que o hospital (Evangélico) deveria pagar judicialmente, afirmou.
A advogada da família, Fabiane Norah Schinaid, disse que o hospital não está oferecendo qualquer assistência para a paciente. Em nota oficial, a direção do estabelecimento se exime de qualquer culpa e deixa a cargo da Justiça a tarefa de apontar os responsáveis.





