Carrapatos incomodam visitantes do parque
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Parque Arthur Thomas (Zona Sul de Londrina) é conhecido por ser uma das mais belas áreas verdes da zona urbana. Porém, por causa da infestação de carrapatos, muitos visitantes não têm guardado uma impressão muito boa do lugar. Como os animais silvestres do parque capivaras, quatis, cotias e macacos são criados soltos, os gramados estão cheios desses parasitas, que oferecem riscos à saúde humana. Os visitantes, porém, não são alertados sobre o risco.
A dona-de-casa Roseli de Souza, 31 anos, levou a filha de um ano e oito meses dia desses para passear no parque. Ninguém a orientou para não deixar a criança brincar na grama. ''É a segunda vez que venho e nunca ouvi falar que tinha carrapatos. Minha filha é alérgica e isso é um perigo.''
A veterinária Cibele da Penha Cordeiro, 25 anos, também deixou o filho Fabrício, de um ano, bem à vontade no gramado próximo ao lago, onde as capivaras e outros animais costumam frequentar. ''É a primeira vez que venho porque todos comentam que é bonito e também para tirar ele (o filho) um pouco do apartamento, dessa coisa da cidade'', disse. Ela comentou que a direção do parque deveria colocar placas informativas ou destacar um funcionário para alertar o público. Mas como veterinária, Cibele ponderou que a infestação de carrapatos é comum porque os bichos são criados soltos.
Já o fotógrafo Márcio Barbosa, 31 anos, teve mais sorte. ''Nós fomos informados por um funcionário na entrada'', disse ele, que estava acompanhado pela esposa, Simone, 27 anos, e pelos filhos Lucas, de 6 anos, e Ingrid, de 4 anos. Mas mesmo informados, as crianças não resistiram em tirar os sapatos e correr pelo gramado.
O responsável pelo parque, Sidney Antônio Bertho, apontou que desde o inverno a infestação de carrapatos vem sendo combatida. De acordo com ele, foi dado um preparado com sal mineral para os animais. Agora, nos meses mais quentes do ano quando os carrapatos se reproduzem com maior facilidade, a saída encontrada foi a aplicação sistemática de um veneno natural principalmente nos arredores do lago, onde as capivaras costumam pernoitar e defecar. Outra medida tomada, segundo ele, foi informar o público. ''Temos a guarda armada que faz a segurança do parque que orienta os visitantes a não permanecerem na margem do lago e se manterem nas trilhas. Nas visitas monitoradas de escolas, os alunos também são orientados da mesma forma'', garantiu.
O professor de medicina veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Milton Yamamura, explicou que os carrapatos de animais silvestres ''podem conter quantidade enorme de agentes que provocam doenças ao homem''. Ele citou um caso de óbito registrado no ano passado em Piracicaba (SP), onde a filha de um docente da Faculdade de Agronomia da Universidade de São Paulo (USP) faleceu em decorrência de febre maculosa transmitida pela picada de um carrapato de capivara. Yamamura ressalvou que o Paraná tem um programa de controle do parasita e não há casos de óbitos registrados.


