Um carpinteiro que mora no Jardim Monte Cristo, bairro carente da zona oeste de Londrina, e que ganha cerca de R$ 200 mensais, ficou chocado quando soube que estava devendo mais de R$ 9 mil entre dívidas de cartão de crédito e contas de telefone. Hildo dos Santos, 57 anos, que nunca teve conta em banco, agora está com o nome no cadastro de inadimplentes do Serasa S/A e no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). A advogada dele, Maria Terezinha Navarro, acredita que Santos está sendo vítima de um falsário. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial.
O problema foi detectado há cerca de um ano, quando o carpinteiro precisou comprar um óculos a prestação. A funcionária da ótica, depois de fazer consulta de cadastro, informou que Santos não poderia comprar pois o nome dele estava no cadastro de inadimplentes, devido a problemas com o Banco Santander. Imediatamente, ele foi até a agência para verificar o que estava acontecendo já que nunca teve conta corrente ou qualquer outra coisa com o banco. A dívida era de cartão de crédito. Segundo Santos, a pessoa que lhe atendeu recomendou que fosse até o SPC requerer a cópia dos registros e procurasse um advogado. ''Foi o que fiz'', disse.
O maior problema é que depois outros casos semelhantes apareceram. O falsário também usou o nome e os documentos de Santos para adquirir cartões de crédito na empresa American Express, no Unibanco e ainda para obter um telefone da empresa GVT - Global Village Telecom. ''Hoje a dívida total já deve ultrapassar os R$ 100 mil reais'', deduziu a advogada. A maioria dos gastos foi em combustível e saque.
Maria Terezinha comentou sobre como o falsário conseguiu obter os cartões de crédito. Segundo ela, através do serviço de telemarketing dos bancos, a pessoa, se fazendo passar por Santos, informou por telefone todos os dados pessoais dele (CPF, identidade, filiação, renda mensal, endereço). Depois de aprovado o contrato (por telefone), em alguns dias o solicitante recebeu o cartão de crédito pelo correio. ''A pessoa adquiriu o cartão sem mesmo precisar assinar o contrato'', explicou. Santos não sabe como o falsário descobriu seus dados pessoais, porque nunca perdeu ou teve documentos roubados.
A advogada entrou na justiça contra as empresas exigindo indenização por danos morais e a retirada do nome de Santos do Serasa e SPC. Ontem, segundo a advogada, em uma audiência no juizado especial de Londrina, a American Express fez um acordo de que pagaria a indenização e solicitaria a retirada do nome do cadastro de inadimplentes.

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