As mãos são pequenas e a mochila nas costas, quase do seu tamanho. Assim o menino, que aparenta ter não mais que três anos, caminha para a barraquinha do espetinho com um real entre os dedos. Entrega o dinheiro para o vendedor, olha impaciente esperando seu petisco enquanto o ''moço'' lhe entrega os R$ 0,30 de troco. A mãe observa à distância com sua outra filha, que não deve ter mais que dois anos.
O espetinho chega e a primeira mordida é dada pela mãe. A pequena chora com uma mamadeira nas mãos enquanto a mãe pede outro espetinho. O sabor deve ter agradado. O menino mais velho senta na muretinha e sorri para a mãe. Seu espetinho tem farinha e isso é o suficiente para alegrá-lo. A mamadeira já está solta e convidativa na mureta e ele aproveita para dar um gole no leite com chocolate. A mãe ergue a menina por um dos braços e a coloca também sob o murinho. Os três permanecem em silêncio, saboreando cada pedaço da carne.
Quando a mãe termina, ela pega a menina nas braços e sai andando. O pequeno garoto ainda está comendo mas a atitude apressada parece não incomodá-lo. Ele ajeita a mochila nas costas e sai comendo. Ops, a mamadeira ficou para trás. Não tem problema. Enquanto a mãe se distancia ele volta, pega a mamadeira com a outra mão e segue com a mochila e o espetinho rumo ao terminal urbano, no centro da cidade. Na cabeça, nada de preocupações ou pressa. O stress realmente não faz parte de seu mundo infantil.

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