Carne clandestina vira caso de polícia
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Marta Medeiros<br> Equipe da Folha 
Maringá - A Promotoria de Proteção ao Consumidor e Saúde Pública de Maringá determinou a abertura de inquérito policial por crime contra a relação de consumo em três municípios da comarca. Nas últimas semanas, cerca de uma tonelada de carne bovina, derivados de suínos e frangos foram apreendidos desde que o Ministério Público exigiu uma inspeção da venda nas cidades de Ivatuba, Floresta, Doutor Camargo e Paiçandu. Apenas em Ivatuba (30 km a oeste de Londrina), fiscais da Vigilância Sanitária da 15 Regional de Saúde não localizaram carne sem inspeção.
Segundo a promotora Elza Kimie Sangale Vendrameth, o trabalho do MP em conjunto com a Vigilância Sanitária tem o objetivo de regularizar a situação do comércio e abate clandestino de carne, principalmente nos municípios que não têm matadouros. A situação mais gritante foi localizada em Paiçandu (10 km a leste de Maringá), onde ocorreu a maior parte da apreensão de uma tonelada. No município não existe matadouro, mas são 24 açougues abertos na cidade.
Em uma das operações dos fiscais da Vigilância Sanitária, depois do abate clandestino em um sítio, a carne foi guardada em um freezer de uma loja de materiais de construção civil para depois ser encaminhada para a venda em açougue. Os fiscais também localizaram carne de frango em decomposição temperada para ludibriar o consumidor.
Elza afirma que o ideal seria uma ação conjunta dos donos de açougues para a construção de um matadouro. ''A prefeitura também poderia colaborar designando um médico veterinário para inspeção do abate'', diz a promotora. Elza conta que se reuniu anteontem com chefes das vigilâncias sanitárias dos quatro municípios, além de Maringá, para cobrar uma fiscalização mais rigorosa na venda de carne. ''A carne sem inspeção é um risco para a saúde da população e é isso que temos que levar em consideração, apesar das dificuldades alegadas pelos proprietários de açougues'', afirma a promotora.
A carne apreendida nas operações da Vigilância Sanitária foi enterrada.


