Londrina - Na contramão de outras regiões do País, onde a crise econômica, infestação de dengue e até a falta de água têm afetado e até mesmo cancelado as festas de Carnaval, as principais cidades do Paraná aumentaram ou mantiveram o orçamento destinado para a celebração mais popular do Brasil. Na maioria das prefeituras, a justificativa é que o investimento ajuda a fomentar o turismo e o comércio locais. As festividades mais atrativas ocorrem nos Campos Gerais e no Litoral, principalmente em Tibagi e Antonina. Curitiba aposta em programação diversificada que foge do tradicional. No Norte do Estado, Londrina e Maringá mantêm programação, embora mais tímida. Já no Oeste, a data passará em branco em Cascavel.
A capital é onde as comemorações devem consumir mais recursos públicos. Ao todo, devem ser destinados à festa carnavalesca cerca de R$ 800 mil. É o maior investimento contabilizado na área desde a década de 1970, conforme o superintendente da Fundação Cultural de Curitiba, Igor Cordeiro. "Conseguimos dar luz a organizações que a cidade já fazia em bairros. Buscamos criar condições para que isso não impactasse tanto nos recursos públicos", explica.
Este montante, aponta ele, ajudará a custear desfiles de escolas de samba, bailes regionais e com ritmos que vão além das marchinhas tradicionais. A Zombie Walk, caminhada com amantes do horror, é outra marca do carnaval curitibano. "Vamos ter rock, gospel, música eletrônica. É um investimento pequeno perto do custo-benefício para uma cidade do tamanho de Curitiba, um polo cultural", assinala.
Cordeiro observa que nos últimos 20 anos as festividades de Carnaval apresentaram um declínio de aplicações do poder público na cidade e que agora esse cenário está sendo transformado. "Nossa maior satisfação é saber que quem está em Curitiba e iria descer para praia vai permanecer na cidade para curtir a programação. Nosso investimento é superado à medida em que mais pessoas procuram Curitiba para passar esse período", define. Os eventos do Carnaval em Curitiba também contam com apoio da iniciativa privada.
Em Ponta Grossa (Campos Gerais), o orçamento para o Carnaval de Rua engordou. Além da manutenção dos R$ 60 mil destinados às três escolas de samba da cidade, a Prefeitura aumentou de R$ 80 mil para R$ 120 mil o investimento na estrutura do evento, o que inclui os gastos com palcos, som, estruturas metálicas, grades de contenção e logística.
A folia vai ocorrer entre 12 e 16 de fevereiro, na Avenida Vicente Machado, e em uma tenda de 600 metros quadrados que será montada em frente à Estação da Saudade, no centro. De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, o Carnaval costuma reunir cerca de 30 mil foliões. Este ano, o evento tem como tema "A Alegria está na Avenida".
Segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Paulo Eduardo Goulart Netto, o objetivo é que o espaço seja transformado num grande ponto de encontro para as famílias. "Estamos organizando tudo com muita segurança, conforto e qualidade para que o Carnaval de Rua agrade cada vez mais a população e consiga atrair também turistas", aponta.
Além dos desfiles das escolas de samba e de blocos, a programação inclui concurso de fantasias, matinês e shows. No dia 12, às 20 horas, o Concurso da Rainha, Rei Momo e Fantasias, na Estação Saudade, abre as festividades. Para o dia 13, está marcada a Festa Abre Alas da Folia. Dia 14 tem desfiles e show da banda Tureck, na Estação Saudade. No domingo, dia 15, haverá matinê e roda de samba. A programação termina na segunda-feira, com desfiles e shows.

APRESENTAÇÕES ITINERANTES
A aposta da Prefeitura de Maringá é no projeto "Carnaval de Bairros". Desde 2005, a Secretaria Municipal de Cultura leva apresentações musicais itinerantes em um ônibus palco até os moradores. Com o orçamento de R$ 40 mil, o veículo vai percorrer oito bairros entre os dias 14 e 17.
De acordo com a coordenadora de eventos da Secretaria Municipal de Cultura, Elisandra Belinelli, a intenção é retomar os desfiles de escolas de samba. "Percebemos uma grande aceitação dos moradores nos bairros. Há lugares onde todos dançam, em outros, são mais contraídos, mas apreciam as bandas", conta. A equipe da Cultura estuda promover um concurso de marchinhas. "Esse resgate da marchinha é legal porque estimula a participação da população", aponta.

POUCA TRADIÇÃO
Por outro lado, a festa mais popular do Brasil não tem muita tradição na Região Oeste. Em Cascavel, não haverá programação. Desde 2011, quando o município fez uma parceria com a Igreja Católica para a realização de um carnaval cristão, a Prefeitura não destina verba pública para a folia. De acordo com a assessoria de imprensa, a Secretaria de Cultura sempre se manteve "à disposição da comunidade, porém não há procura de interessados em organizar desfiles ou outras atividades ligadas ao carnaval".

FOLIAS CANCELADAS
No Estado de São Paulo, pelo menos 15 cidades decidiram reduzir ou cancelar as programações. Em Araras e Cordeirópolis, o motivo foi a crise hídrica. Em Penápolis e Catanduva, que tem um dos carnavais mais tradicionais do Estado, o orçamento da folia será destinado ao combate à dengue. Em Minas Gerais, passa de 20 o número de cidades que abriram mão do Carnaval. O principal problema enfrentado pelos mineiros é a falta d’água. Na Região Sul também houve cortes. A Prefeitura de Itajaí (SC) cancelou o desfile de carnaval e os R$ 400 mil que seriam destinados às escolas de samba serão utilizados para o combate à dengue. (Com Agências)

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