Rio de Janeiro - Quando a Mocidade Independente de Padre Miguel pisar na Marquês de Sapucaí hoje, às 21h, estará começando o mais caro desfile da história das escolas de samba. Além dos R$ 2 milhões repassados a cada agremiação pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) R$ 360 mil da prefeitura e o restante, de publicidade e direitos de transmissão pela TV as escolas conseguiram, entre patrocínios e apoios, mais de R$ 15 milhões.
Só a Mangueira, financiada por empresas estatais, revela o tamanho do seu suporte financeiro: R$ 4,5 milhões dados por Petrobras e Eletrobrás. A Mocidade, patrocinada pela Tim, conseguiu cerca de R$ 1,5 milhão. Como sua mecenas é uma empresa italiana, a Mocidade exaltará a Itália, sua cultura e sua culinária. A escola do carnavalesco Paulo Menezes tem o difícil desafio de voltar a vencer, após nove anos, sendo a primeira das 14 escolas a desfilar, fato que nunca aconteceu no Sambódromo.
Outras seis sucedem a Mocidade na avenida. A primeira é o Império Serrano, nove vezes campeã, outrora grande, hoje apostando na tradição e na garra de seus componentes para não correr risco de rebaixamento. ''A escola recebeu muita gente nova no ano passado (por causa da reedição do enredo 'Aquarela Brasileira'), está se modernizando e vem com carros muito bonitos'', afirma Quitéria Chagas, 24 anos, rainha da escola e que, sambando no chão, é um dos maiores destaques do Império.
Em seu terceiro ano como carnavalesco do Salgueiro, Renato Lage campeão três vezes pela Mocidade na década de 90 finalmente tirou da gaveta seu projeto de fazer um enredo sobre o fogo. O Salgueiro estreará a atriz Carol Castro como rainha da bateria e também terá Gisele Itiê entre suas mulheres bonitas. Por conta de seu patrocínio, a Mangueira terá como enredo a energia. Para driblar a aridez do tema, o carnavalesco Max Lopes tentou expandi-lo: falará dos quatro elementos essenciais da natureza (ar, água, terra e fogo), das energias ''positiva'' e ''negativa'' e da energia do Carnaval.
A vice-campeã Unidos da Tijuca, a grande surpresa de 2004, repetirá a fórmula de trazer alegorias humanas para a avenida, como fez no impressionante carro do DNA: o abre-alas deste ano terá 247 pessoas.
A primeira noite se encerrará com duas escolas menores, mas que vêm impulsionadas por patrocínios: a Tradição, financiada por empresas do setor, falará da soja; a Vila Isabel, com apoio da indústria naval, apresentará ''Singrando em Mares Bravios... Construindo o Futuro''.
Dissidência da Portela que nunca conseguiu se firmar como uma escola grande, a Tradição aposta na criatividade de seu carnavalesco Mario Borrielo, campeão em 1993 pelo Salgueiro com o enredo ''Peguei um Ita no Norte''. O enredo da Vila é de Joãosinho Trinta, que está internado depois de um segundo derrame e não irá à avenida.

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