Lucilia Okamura
De Londrina
Um dos principais envolvidos nas denúncias de irregularidades na administração municipal foi ouvido ontem à tarde pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores. Cassimiro Zavierucha, o ‘‘Carlos Junior’’, apontado como tesoureiro da campanha eleitoral do prefeito Antonio Belinati (PFL), falou à CEI durante 20 minutos.
O nome de Carlos Junior foi citado pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso. Semana passada, quando falou aos membros da CEI, Alonso acusou Carlos Junior de cuidar dos interesses do prefeito, ‘‘distribuindo dinheiro entre políticos e pagando as contas pessoais dos membros da família Belinati’’.
Outro que falou sobre Carlos Junior é o ex-funcionário da Comurb, Mário Sérgio Orcioli. Durante depoimento ao Ministério Público em dezembro de 99, ele disse que Carlos Junior era o ‘‘braço direito do prefeito.’’
Ao final do depoimento, Carlos Junior, ex-membro do Conselho de Administração da Comurb, tentou escapar do assédio dos jornalistas, e ao ser alcançado pelos repórteres se desculpou: ‘‘Não sabia que vocês estavam me esperando’’, ironizou. Ele afirmou que as denúncias de Alonso são infundadas e que está tomando medidas judiciais cabíveis. Também negou ter sido tesoureiro da campanha de Belinati. ‘‘(Participei) como eleitor’’. Para tentar provar, distribuiu cópias de uma certidão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em que consta que não fez parte do comitê financeiro durante eleição de Belinati, em 96.
Carlos Junior chegou no prédio do Legislativo e ficou aguardando o início do depoimento na sala do diretor da Câmara, Francisco Mestre. Para evitar o assédio da imprensa, ele foi conduzido à sala de reuniões por um acesso onde não era permitida a entrada dos repórteres. Mestre, ex-chefe de gabinete de Belinati, negou que tivesse dificultado o trabalho dos jornalistas. Ele alegou que anteontem foram adotadas novas medidas – jornalistas não têm acesso, por exemplo, ao corredor administrativo. ‘‘Não estamos cerceando as atividades de ninguém.’’
Também o membro do Conselho de Administração da Comurb, Ayoub Hanna Ayoub, foi ouvido pela CEI. Ele disse que representa os acionistas minoritários e não foi indicado por Belinati. Segundo ele, em 99, o conselho pediu explicações à diretoria da Comurb sobre as irregularidades. ‘‘A reunião para os esclarecimentos foi adiada duas vezes’’.
O procurador-geral do município, Osmar Vieira da Silva, entregou ontem à CEI cópia de um decreto municipal que diz que todos os pagamentos da administração municipal acima de R$ 20 mil só podem ser feitos com a assinatura do prefeito nos empenhos, cheques e autorizações bancárias.
O objetivo de Vieira foi desmentir Alonso, que exibiu cópias de documentos assinados por Belinati e seriam, segundo ele, ‘‘pagamentos irregulares vistados pelo prefeito’’. ‘‘A afirmação de Alonso foi que as assinaturas eram feitas no sentido de autorizar determinados pagamentos, mas, na verdade, assinar era obrigatório’’.
Questionado se o fato de o prefeito assinar os cheques significava que ele sabia das irregularidades, Vieira respondeu: ‘‘O prefeito tinha conhecimento dos cheques. Obviamente, as irregularidades ocorriam posteriormente à entrega dos cheques às empresas’’, justificou.
Diariamente, Belinati tem sido procurado pela Folha, mas evita comentar o caso. Amanhã, a CEI ouve os ex-secretários municipais Ismael Mologni e Gino Azzolini Neto.

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