Carlos João Strass é a 'campeã' em acidentes com postes
Trecho da rodovia na região dos Cinco Conjuntos é o de maior ocorrência na cidade, segundo o levantamento da Copel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de março de 2019
Trecho da rodovia na região dos Cinco Conjuntos é o de maior ocorrência na cidade, segundo o levantamento da Copel
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Do posto de combustível onde trabalha como frentista, Manoel José Barbosa já presenciou muitos choques entre veículos e postes. “O pessoal embala na velocidade e a rotatória aqui é muito grande. Os motoristas perdem o controle, ainda mais quando estão bêbados”, conta. A rotatória que o funcionário se refere é a localizada no cruzamento da rodovia Carlos João Strass (PR-545) com a avenida Curitiba, na região dos Cinco Conjuntos (zona norte de Londrina), em frente ao Lago Norte. O local foi apontado pela Copel como o endereço “campeão” de acidentes deste tipo em 2018, em Londrina.
“É um trecho onde o pessoal desenvolve um pouco mais de velocidade, acaba passando reto e atingindo o poste”, comenta o gerente de manutenção da Copel em Londrina, Daniel de Holanda Cavalcanti Ribeiro dos Santos. Segundo ele, foram três ocorrências no ano passado, mesmo número registrado na rua Pastor Antônio Polito, no bairro Boqueirão, em Curitiba. Em todo o Estado, foram 3.105 postes danificados por acidentes de carro.
A capital teve o maior volume (359) e Londrina aparece em seguida no ranking, com 190. Em 2019, somente nos meses de janeiro e fevereiro já foram registradas 462 ocorrências no Paraná, gerando uma média de 7,8 por dia.
Responsabilidade
De acordo a Copel, a maior parte dos acidentes acontece aos fins de semana devido à combinação de álcool e direção. “Infelizmente, não temos o que fazer porque grande parte dos acidentes acontece por embriaguez ao volante”, diz Santos.
Quem reforça essa afirmação é o frentista Barbosa. “Eu mesmo já presenciei um acidente às 6h, a caminho do trabalho. O homem bateu de frente com o poste, largou o carro ali e foi embora. Quando tem acidente assim, é comum ver que a pessoa está bêbada”, comenta.
Em acidentes com postes, os custos para reparo dos danos à estrutura são de responsabilidade do motorista. Entretanto, nem sempre o condutor chega a ser identificado, já que muitos fogem do local do acidente.
“O custo inicial acaba ficando para a Copel pela responsabilidade em fornecer a energia, mas depois vamos em busca do ressarcimento do dano”, afirma Santos. Em 2018, a Copel teve 16,6% de ressarcimento em relação ao gasto total para os reparos, que chegou a R$ 9 milhões. Nos dois primeiros meses de 2019, o índice está em 9,26%.
“Os prejuízos materiais dependem dos equipamentos que estão instalados no poste. Uma estrutura padrão tem um custo aproximado de R$ 3 mil, mas, se houver chaves ou transformadores, o valor pode chegar até R$ 30 mil”, diz o gerente.
Santos comenta que os prejuízos vão além dos materiais. “É natural que a população fique um período sem energia. Para trocar um poste simples o tempo médio é de quatro horas. A gente sempre trabalha na questão de minimizar o impacto aos consumidores, mas se tratar, por exemplo, de uma estrutura mais complexa, esse reparo pode levar o dia todo”.
POPULAÇÃO
O conjunto Milton Gavetti é um dos bairros que ficam às margens da rodovia e costuma ser afetado com o abalroamento de postes. “Lembro que uma noite ouvimos um barulho de batida e corremos para ajudar. O cara tinha batido no poste e ficamos praticamente a noite toda sem luz. É ruim porque a gente depende de energia para tudo”, diz o morador Alef Ferrer.
O gerente da Copel lembra que há cerca de cinco anos um projeto chegou a ser testado em algumas estruturas em Londrina. “Se pensou em uma espécie de airbag de poste, utilizando manilha de esgoto e areia. Dessa forma, em uma colisão havia dissipação da energia cinética e a areia fazia a retenção do choque. A intenção era minimizar os danos da estrutura, mas não foi para frente porque demanda um trabalho muito grande”, comenta.
Serviço: Casos de acidentes envolvendo postes podem ser comunicados à Copel pelo 0800 51 00 116



