Neste dia 30 de setembro, os assíduos frequentadores têm um motivo a mais para ir até a banca preferida, seja para comprar jornal ou pôr a conversa em dia: o Dia do Jornaleiro. E é para homenagear esses profissionais que, mesmo diante das dificuldades, não abrem da profissão que leva informação à população, que a FOLHA destaca as histórias de três jornaleiros de Londrina.
Proprietário da Banca Flamengo, localizada no Mercado Shangri-lá (Zona Oeste), João Medeiros, 69 anos, conta que iniciou na atividade em 1982, quando veio a Londrina pela primeira vez. Na época, era funcionário de uma editora carioca. ''Como não encontramos ninguém com o perfil que a editora precisava para o cargo de distribuidor, eu acabei ficando e montei a banca'', afirma, enfatizando que nunca mais quis abandonar a cidade e muito menos a profissão.
''Eu não consigo me imaginar sem trabalhar com o comércio de jornais e revistas'', revela, satisfeito com os laços de amizade cultivados com os clientes ao longo dos anos. ''Como jornaleiro, você trabalha com todo o tipo de público, nível cultural, poder aquisitivo, raça, cor e idade.''
Medeiros recorda que um dos fatos que mais marcou a venda de jornais da banca foi o incêndio no Edifício Joelma, em São Paulo, em 1974. O jornal acabou ainda de manhã e faltaram edições para todo mundo que queria'', detalha. ''Foi o maior comentário aqui na banca. Todo mundo só falava do triste episódio.''
''Mas apesar de acabar levando, muitas vezes, informações sobre fatos tristes, eu ainda acredito que a nossa profissão é maravilhosa, porque temos a oportunidade de informar as pessoas sobre o que está ocorrendo'', opina.
Carisma
Para José Tito de Souza, 62 anos, o interesse pelo atividade começou por acaso, em 1973, quando um colega de profissão - ele trabalhava como motorista - lhe oferecer sociedade em uma banca. Dois anos depois, após o casamento, o jornaleiro montou a conhecida Banca do Tito, que até o ano passado ficava em frente ao Centro Comercial e agora funciona em uma das salas do prédio.
''Quando eu comecei com a banca, eu achei que não iria dar certo, mas aos poucos eu fui me entrosando com a atividade e tudo acabou dando certo'', diz, salientando que uma das melhores recompensas da atividade são as amizades que ele fez, resultado do atendimento diferenciado que menciona dedicar aos clientes. ''Para ser jornaleiro não basta montar uma banca; carisma e conhecimento da vida são importantes para cativar e manter os clientes.''
Conhecida pela localização central, Tito conta que a banca logo se tornou um ponto de encontro para os apaixonados pela leitura. ''As pessoas vinham buscar os jornais e as revistas semanais.'' Segundo o jornaleiro, o futebol é um dos grandes chamarizes para os leitores. ''É a grande paixão nacional. O pessoal que acompanhar tudo o que acontece com seu time.''
Amizade
Trabalhando atualmente na Revistaria Dori, após perder sua banca que já funcionava há 40 anos na Praça 15 de Novembro (Área Central), Aquio Matushita, 65 anos,lembra com saudade dos momentos que passou em sua banca montada com o irmão.
Matushita explica que o interesse pela atividade surgiu logo que ele se mudou para Londrina, em 1971. ''Um parente nosso já trabalhava com uma banca e com as nossas economias compramos o ponto'', detalha. ''O movimento era grande. Eu trabalhava todos os dias, inclusive nos finais de semana, mas logo me apaixonei pelo trabalho e não quis mais mudar de ramo.''
Ele diz que, apesar de ter perdido seu ponto de venda há um ano, os clientes continuam fiéis e frequentam o novo ponto para comprar um jornal ou simplesmente colocar o papo em dia. ''A amizade que a gente criou ao longo de tantos anos não se perde assim. Meu único desejo é que consiga continuar fazendo isso, que é o que mais amo'', revela.

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