Imagem ilustrativa da imagem Carinho dos visitantes de quatro patas
| Foto: Anderson Coelho



Os latidos da mascote Lola nem de longe incomodam os idosos atendidos pelo Lar dos Vovôs e das Vovós Gilda Marconi, na Vila Nova, em Londrina. Debaixo do pé de árvore, idosos recebem, um a um, o carinho dos visitantes de quatro patas. Meg e Marley, cachorros de voluntários, também participam da dinâmica. A atividade realizada na sexta-feira (30) é a primeira do projeto "Amor em Pelo", em parceria entre a Secretaria do Idoso e a ONG SOS Vida Animal.

De acordo com a veterinária Cristina Tanaka, a cinoterapia é uma abordagem terapêutica que tem como diferencial o uso de cães como co-terapeutas e traz resultados. "A experiência com pacientes com problemas de locomoção, por exemplo, mostra que a presença do animal promove o desprendimento e uma mudança muito boa", relata.

Sobre os pré-requisitos dos caninos, simplifica: "Não existe perfil específico. O animal só precisa ser dócil e aceitar ser manuseado", explica a veterinária. Na expectativa pelo início da atividade que será realizada uma vez por semana, a assistente da unidade, Marta Rosa, a prática é muito positiva. "Tivemos uma ação semelhante anos atrás e observamos uma melhora na autoestima dos idosos. Ficam mais felizes e o momento traz à tona vivências. Afinal muitos deles já tiveram um cachorro ou contato".

A vice-presidente da instituição, Maria Júlia Dutra Barros, também comemora a iniciativa. "Sabemos que haverá um rodízio entre outras instituições para idosos e queremos que voltem a nos visitar sempre."

De colo em colo, Marley ganha mimos. Por um longo tempo, nos braços de Olinda Alves Predrozo, 68 anos, escolhe ficar. "Eu tinha cachorro. Era pequenininho, dava comida na hora certa, banho quando precisava e a gente passava horas. Mas roubaram o Fred. Era peludinho e me esperava chegar no portão", conta.


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| Foto: Anderson Coelho


A visita dos cachorros fez dona Olinda conhecer o jardim

Encantada com a visita dos três cachorros, dona Olinda revela: "Estou aqui há um ano e nunca vim aqui no jardim, mas quando soube que tinha cachorro, vim ver." A técnica em enfermagem Ângela Garcia confirma a informação. "Ela nunca saiu mesmo.". E vovó Olinda acrescenta: "São os melhores amigos e só não gosto que maltratem."

Para a gerente de Atenção à Pessoa Idosa da Secretaria Municipal do Idoso (SMI), a psicóloga Renata Graner, o projeto tem tudo para dar certo. "Amo cachorro, trabalho com idosos e pesquisas comprovam os benefícios que esse tipo de interação traz. Melhora a mobilidade, ameniza a depressão e evita a demência. Sabemos que o risco de demência aumenta entre os idosos e essa relação traz muita alegria para o ambiente e as pessoas."


LEGÍTIMOS VIRA-LATAS

Entre os voluntários do projeto, Leda Maria Dalla Costa considera que ações assim devem ser referência. "Temos que fazer mais pelos idosos. Sair de nossa zona de conforto. Eu estou aposentada e me sinto disponível.". Os cachorros de Leda, legítimos vira-latas, são Meg e Marley. Têm dois anos e há um foram adotados por ela. "Podem copiar", brinca. "Nós copiamos também e seria ótimo que se tornasse um projeto permanente", emenda a psicóloga Renata Graner.

A profissional assegura que pegar no colo, sentir o cheiro e olhar para os cães torna melhor o dia de quem está em internamento. "Todos os sentidos são aflorados. Muitos idosos deixaram seus animais quando foram para instituições e descrevem para nós a falta que sentem deles. E essa também é uma forma de amenizar essa perda e matar a saudade que fica", pensa.

Dona Lurdinha não gosta de dizer a idade e confirma os conhecimentos da psicóloga. "Eu deixei a Puca lá em Minas Gerais. Vou voltar para Minas, mas enquanto isso os cachorros podem voltar aqui. É muito bom."

Com uma cachorro no colo, dona Zezé, a Maria José Felix de Oliveira, de 75, também conta sua vivência: "Eu gosto de bicho. O meu ficava me esperando chegar do trabalho e depois que saí de casa de vez, o Toddy morreu. De desgosto", afirma.


SERVIÇO - O Lar dos Vovôs e Vovós é uma instituição de longa permanência e acomoda 72 homens e mulheres. Para doações ou para conhecer mais, o endereço é Rua Cabo Verde, 95, Vila Nova, fone (43) 3326-7004.

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