Sorrisão no rosto, braços e pernas se movimentando sem parar: Pedro Henrique está contente por estar em casa. É visível o bom resultado dos cuidados da família para com o filho caçula, que até quatro meses atrás vivia numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil. ‘‘Agora minha rotina é ficar em casa, curtindo ele e meus outros dois filhos’’, comemorou Marlei Cristina de Carvalho Biscaia, 32 anos, mãe de Pedro, de Vinícius, 8, e Gabriel, 11.
  Ela deixou de ir trabalhar no sacolão com o marido, o comerciante Claudenir Camargo Biscaia, 31, para se dedicar inteiramente aos filhos e não se arrepende. ‘‘Meu marido fica com ele de manhã, antes de ir trabalhar, e à noite, pouco antes dele dormir. Os irmãos também brincam com ele, principalmente o Vinícius, que costumava conversar com ele quando ele ainda estava na barriga’’, contou Marlei.
  Pedro nasceu em agosto de 2003 com problemas cardíacos e foi submetido a uma complicada cirurgia. Durante o procedimento apresentou insuficiência respiratória, que resultou em problemas neurológicos e, conseqüentemente, paralisia diafragmática (paralisia do músculo que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal). Desde então, ele depende de um respirador para viver.
  Depois de exatos quatro anos, seis meses e cinco dias vivendo em uma cama de hospital, Pedro finalmente foi para casa e hoje vive confortável no quarto preparado especialmente para ele pelos pais. Além da família, ele fica sob os cuidados constantes de uma equipe de profissionais do Sistema de Atendimento Domiciliar (Dom) da Unimed, que instalou o suporte de uma UTI na casa da família Biscaia.
  Quatro auxiliares de enfermagem se revezam 24 horas por dia na residência. ‘‘Elas fazem parte da família, não consigo mais viver sem elas’’, confessou Marlei. Conforme o médico Wilson Liuti, responsável pelo Dom, foi quase um ano de preparo para levar Pedro Henrique para casa. Uma equipe de fisioterapeutas fez treinamento específico em Curitiba para acompanhar o tratamento do menino, que hoje, já consegue apoiar a cabeça e sentar sozinho, como contou a mãe.
  ‘‘Ele também está mais tranqüilo, dorme a noite toda, diferente de quando estava no hospital’’, comentou Marlei, que costuma levá-lo para passear no quintal vez ou outra.
  Toda manhã, quem ajuda Marlei a cuidar do filho é a auxiliar de enfermagem Sandra Cristina Alba. Segundo ela, é o carinho dos pais e irmãos que tem garantido a melhora de Pedro. ‘‘Fiquei com ele nos dois últimos dias de hospital e percebi que ele evoluiu bastante desde que chegou em casa, principalmente o lado psicológico’’, opinou Sandra. Segundo ela, além da medicação, a rotina de tratamento inclui fisioterapia motora e respiratória duas vezes ao dia, todos os dias da semana.
  ‘‘Ele reconhece todo mundo, sabe quando são as ‘tias’ e quando é a mãe que está falando com ele. Sei disso pelos gestos dele’’, declarou Marlei, assinalando que o contato diário com o caçula faz toda a diferença para a família. ‘‘Não dava para ir todo dia no hospital. Agora, acordamos com ele todo dia.’’

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