Caridade e satisfação
O dinheiro arrecadado pelas associações de apoio ao Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) ajuda a conter o rombo nas contas da instituição. O HC atende 100% pelo SUS, sem convênios ou pacientes particulares. ''Isso faz com que o índice de sustentabilidade seja insuficiente'', diz Giovanni Loddo, diretor geral da instituição. Por mês, o SUS repassa ao hospital um valor próximo de R$ 5,6 milhões. No mesmo período, a instituição gasta R$ 6,5 milhões.
As associações que trabalham em parceria com o HC angariam recursos para reformas da estrutura, compra de equipamentos, materiais e remédios. ''As pessoas não imaginam o que R$ 5 podem fazer'', revela o diretor. Segundo Loddo, as arrecadações de um dos programas de doação do hospital, batizado de ''O HC conta com você'', somam cerca de R$ 40 mil ao mês. ''Pode parecer pouco perto dos R$ 5 milhões que recebemos do governo, mas operacionalmente é muito importante''.
Ruben de Francesco, 48 anos, descobriu na caridade uma forma de satisfação. O compromisso de R$ 150 por mês com o Erasto Gaertner é uma responsabilidade que assumiu há oito anos. Como é representante comercial, não sabe qual será o salário no final do mês: depende da comissão das vendas. Mesmo nos meses em que o dinheiro não entra, ele diz não falhar com as doações. ''Doar é isso: fazer algo sem pedir nada em troca. Quem pratica a caridade está se ajudando também'', ensina.
Maria Helena Sucek nunca precisou dos serviços de um hospital como o Erasto Gaertner. Mesmo assim, isso não a impediu de ajudar a instituição. De lá para cá, são 20 anos colaborando com o tratamento de pacientes vítimas do câncer. Hoje, ela e o marido doam R$ 60 por mês. ''O objetivo é ajudar um pouquinho'', confirma.
Maria Helena explica que o começo da ajuda foi fruto de uma conscientização. ''O brasileiro tem essa consciência de que é necessário ajudar. É que muitas vezes não tem condições de doar'', acredita. (T.A.)





