O número de visitas e doações às instituições de caridade aumenta na época do Natal. Pessoas que não costumam ajudar durante o ano escolhem o mês de dezembro para demonstrar solidariedade e levar alegria a pessoas carentes.
No asilo Recanto Tarumã, que abriga 120 homens, dezembro é o mês das festas. Há pelo menos 20, entre almoços e lanches. As doações de roupas, alimentos e materiais de limpeza também chegam em maior número. Alguns grupos ainda aproveitam a ocasião para dar pequenos presentes aos idosos. ‘‘O Natal mexe mais com a sensibilidade do povo. É uma festa que comove’’, diz a diretora do asilo, Cecília Goetten.
Apesar da ajuda no final do ano ser bem-vinda, Cecília gostaria que a realidade das pessoas carentes fosse lembrada durante o ano inteiro.
O vice-presidente da Associação Padre João Ceconello, Higino Wolff Bodziak, também lamenta a pouca frequência com que as ajudas e as visitas ocorrem. ‘‘Seria bom que as pessoas lembrassem que as crianças existem não só em datas festivas. Elas têm necessidade de atenção, recreação e carinho todos os dias.’’ A associação comporta seis casas, onde vivem 208 crianças e 100 adultos.
As colaborações, que deveriam ser equilibradas durante o ano, concentram-se na Páscoa, no Dia das Crianças e no Natal. No final do ano, por exemplo, cada criança chega a ganhar cerca de sete brinquedos. ‘‘É um exagero’’, diz Bodziak.
Campanhas - Neste final de ano, as campanhas para ajudar as instituições também se avolumam. Um colégio de Curitiba está doando para a Associação Padre João Ceconello produtos de higiene e limpeza. Os três maiores shoppings de Curitiba estão arrecadando roupas e sapatos para as crianças.
O Provopar Estadual está com uma campanha para garantir o Natal das crianças em instituições de todo o Paraná. Ao comprar um cupom de R$ 5,00, a população ajuda na festa das pessoas carentes e concorre a uma picape Dakota, doada pela Chrysler, de Campo Largo.
Ajuda - A confeiteira Carmem Ferreira, 53 anos, faz um almoço especial de Natal para os idosos do Recanto Tarumã há cinco anos. Carmem integra um grupo de dez pessoas que faz uma poupança durante o ano inteiro para garantir o Natal dos carentes.
Carmem já chegou a visitar os idosos todos os meses. Há dois anos, ela vem dando atenção especial apenas no Natal por causa da correria do dia-a-dia.‘‘É falha minha porque eu sempre gosto de fazer alguma coisa para as pessoas.’’ Para Carmem, a gratificação é ver a alegria dos idosos. E, se é preciso escolher uma data para verificar isso, o Natal é o favorito, já que é tempo das pessoas se reunirem e comemorarem.

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