Me dá um trocadinho... um dinheirinho para comprar um pão... 10 centavos para completar a passagem... falta só um real para comprar o meu remédio controlado... Quem nunca escutou um desses pedidos pelas ruas de Londrina?
Nos semáforos, nas praças, no Calçadão e diversos outros lugares da cidade tem sempre alguém pedindo esmola. Diante da criança que diz ter fome ou do adulto doente, quem escuta o triste pedido geralmente fica em dúvida. Dar o ''trocadinho'' ou dizer não?
De um lado, campanhas como a da Secretaria de Assistência Social de Londrina, que diz para os cidadãos não darem esmola em hipótese alguma; do outro, os princípios religiosos e a vontade de ajudar quem está pedindo.
A Bíblia incentiva essa forma de ajudar o próximo. Entre outras passagens dos evangelhos, um exemplo é a que está no versículo 33 do capítulo 12 do livro de Lucas, onde Jesus Cristo diz: ''Vendei o que possuís e dai esmolas''. Outras religiões, como a islâmica e a budista, também têm entre seus mandamentos principais essa maneira de ajudar a quem tem fome.
Para a secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizzoti, o combate à esmola que está sendo feito pela prefeitura deve ser analisado sob dois aspectos. ''O primeiro é que a pessoa que está na rua, em situação de pobreza, tem direito a um atendimento qualificado. O segundo é que a esmola incentiva a permanência na rua, pois uma criança que ganha um trocadinho hoje e um pouquinho mais amanhã, acaba se acostumando com esse dinheiro fácil'', explicou.
Ela também ressaltou que o número de abordagens realizadas pelo Programa Sinal Verde solicitadas pela população aumentou no último ano. Foram 1.703 abordagens em 2006 contra 1.109 em 2005. ''O nosso objetivo é propor à população uma conduta que contribua para melhorar a condição de cidadania de quem pede. Atualmente, 64 pessoas que viviam nas ruas estão abrigadas e recebem uma bolsa de R$ 100,00; ou seja, estão vivendo com mais dignidade''.
A opinião da socióloga Ileizi Fiorelli, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é diferente. Segundo ela, a pobreza no Brasil é causada pela história de grande desigualdade social existente no País e não pelas esmolas.
''Eu não gosto desse tipo de campanha que está sendo feita em Londrina, pois o problema da pobreza e da miséria não é devido às esmolas. Ao contrário do que diz a campanha, a pobreza não vai diminuir se pararmos de dar esmolas. O debate que devemos fazer é para entender por que as diferenças sociais no País estão sempre aumentando. Quando tenho dinheiro, eu dou esmolas'', diz a socióloga.

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