Cesar FerrariEmílio Wzoreck, delegado-chefe da 13ª Subdivisão PolicialSe a contratação dos chamados ‘‘calças-curtas’’ voltou a ser um problema em delegacias de todo o Estado, na região de Ponta Grossa a situação toma dimensões ainda maiores, levando em conta que mais da metade dos delegados que atuam nos Campos Gerais não são profissionais de carreira.
Das 17 delegacias subordinadas à 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, nove são comandadas por assistentes de segurança, conhecidos na gíria policial como delegados ‘‘calças-curtas’’. Na avaliação do delegado-chefe Emílio Wzoreck, essa é uma situação que coloca em risco a segurança da própria comunidade.
Na opinião do chefe da 13ª SDP, os delegados ‘‘calças-curtas’’ se constituem em um problema político. ‘‘Eles são funcionários de prefeitos e deputados’’, diz Wzoreck, lembrando que esses cargos são preenchidos por pessoas indicadas por políticos.
Edson MazzettoOsnildo Carneiro Lemes, da 15ª SDP: organograma engavetaNa Região Metropolitana de Curitiba, das 29 delegacias 21 serão comandadas por delegados ‘‘calças-curtas’’, quando a secretaria de Segurança Pública efetivar a recontratação. O percentual é de 72,4%, segundo o delegado João Manoel da Siqueira Dias, da Divisão de Polícia Metropolitana.
São homens como o tenente da Polícia Militar Maurilúcio Alves de Souza, que apesar de não ter sido recontratado comanda a delegacia de Pinhais, ou como o investigador Oswaldo do Carmo, 49 anos, dez deles na Polícia Civil, que assumiu a delegacia de Balsa Nova, cidade para a qual foi transferido há três anos. Sem formação em curso superior, Carmo defende a indicação de ‘‘calças-curtas’’ para cidades pequenas, com menos de dez mil habitantes.
‘‘Foi um alívio’’. É assim que o delegado do 1º Distrito Policial do Lar Paraná, o maior bairro de Campo Mourão, Antônio Rodrigues dos Santos, define a volta ao cargo, depois de um afastamento de dois meses e meio. Santos é assistente de segurança e vinha atuando como delegado ‘‘calça curta’’ desde 1995, em Rancho Alegre d‘Oeste. Em Campo Mourão ele está desde novembro de 1997 e chegou a liderar um movimento pela volta ao cargo.
Arquivo FolhaWanderci Corral Fernandes, da 10ª SDP: sem informações‘‘Foram mais de dois meses esperando uma definição que não sabíamos se iria vir’’. Nesse período, Rodrigues conta que continuou prestando serviços administrativos no distrito policial, mas sem receber salários.O delegado de Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão), Cristiano Yassaka, também se diz aliviado com a recondução ao cargo. Ele é delegado na cidade há mais de 20 anos e não conseguiu ficar afastado da delegacia, mesmo estando sem salário nenhum. ‘‘Não podia deixar a delegacia sozinha e, então, fiquei trabalhando de graça’’, ressalta.
Na região de Maringá boa parte dos ‘‘calças-curtas’’ de 26 municípios já foram reintegrados. O delegado-adjunto da 9ª Subdivisão Policial, Roberto Fernandes, disse ontem à Folha que os assistentes, a partir de agora, vão apenas ‘‘gerenciar’’ as delegacias de cidades que ainda não são comarcas. ‘‘Apenas o delegado da comarca vai poder assinar’’, garante ele. Nas 26 cidades que ficaram desde janeiro sem ‘‘delegados’’, nenhuma delegacia fechou as portas.
Segundo Fernandes, o correto seria a extinção dos assistentes de segurança. Ele explica que em alguns municípios, o Ministério Público tinha sérios problemas por causa da atuação dos ‘‘calças-curtas’’. ‘‘Seria ideal se o governo contratasse um escrivão e dois investigadores para cada delegacia, e o delegado da comarca responderia por todos os municípios de sua região’’, sugere.
Na região de Paranavaí os assistentes começaram a ser chamados de volta anteontem. O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial, Luiz Norberto Canhoto, diz que a região não teve problemas sem os assistentes, a não ser o acúmulo de serviço.
No Oeste, Cascavel, Corbélia, Matelândia e Catanduvas, são as únicas das 22 cidades vinculadas à 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel onde há delegados de carreira. Nas demais, atuam os ‘‘calças-curtas’’. Mas há casos em que as delegacias estão acéfalas. Até mesmo sedes de comarca não têm delegado de carreira. São os casos de Guaraniaçu e Capitão Leônidas Marques.
O delegado-chefe da 15ª SDP, Osnildo Carneiro Lemes, chegou a elaborar um organograma, enviado à Secretaria de Segurança, para vincular cidades menores a delegados de carreira de delegacias regionais. Estes delegados se responsabilizariam, por exemplo, pela formalização de flagrantes, e seriam apoiados pelos assistentes. Mas com a exoneração decidida, o organograma não chegou a ser aplicado. ‘‘Seria um paliativo, mas é o que se poderia fazer’’, observa Osnildo.
Na área de abrangência da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, o delegado-chefe Wanderci Corral Fernandes não soube precisar o número de ‘‘calças-curtas’’. ‘‘Não sei os números exatos, mas na área da 10ª SDP são muito poucos os assistentes de segurança. Estão somente em cidades pequenas, que não são sedes de comarca’’. (Participaram Áureo Nogueira, Giovani Ferreira, James Alberti, Luciane Tonon, Marcos Zanatta, Paulo Pegoraro e Sid Sauer)

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