Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Ney de SouzaO procurador Paulo Gomes Junior e a carga de aguardente que pode estar sonegando impostos; advogado da empresa alega que empresa está regularizando dívidasA Procuradoria Estadual em Foz do Iguaçu está ivestigando o destino de um carregamento de bebidas, avaliado em R$ 32,9 mil, cujo endereço de entrega pertenceria ao Centro Atacadista Glória, suspeito de ser uma empresa ‘‘fantasma’’. O advogado dos proprietários contestou a acusação, dizendo que a pessoa jurídica existe e que a fiscalização não avaliou o período de quatro anos em que não houve comercialização de produtos.
A mercadoria foi apreendida depois que o fiscal da Receita Estadual Juscelino dos Reis desconfiou de um caminhão estacionado há mais de duas horas diante de uma empresa atacadista localizada na Vila Portes, bairro próximo à Ponte da Amizade. Depois de solicitar as notas para investigar o destino da carga (22,8 mil litros de aguardente da marca Rosa), confirmou que o endereço do destinatário descrito na nota fiscal, o Centro Atacadista Glória, era de outra região da cidade. Investigado o local, constatou-se que o imóvel está fechado. A proprietária do imóvel informou que nunca alugou o estabelecimento à empresa descrita.
‘‘Procuramos o dono da Glória e descobrimos que ele é um auxiliar de pedreiro chamado Airton, que vive em Toledo e que ganha R$ 8,00 por dia. Com certeza é mais um caso de empresa fantasma’’, constatou o procurador do Estado de Foz do Iguaçu, Paulo Gomes Junior. A empresa está em nome de Ricardo Spagnolo e Airton Luiz de Souza. Cada um dos sócios teria entrado com R$ 25 mil para constituir a firma. Souza teria dito aos fiscais que uma pessoa ofereceu R$ 300,00 em janeiro para que ‘‘emprestasse’’ o CPF e assinasse alguns papéis.
O responsável pela gerência do centro atacadista é Gabriel Luiz dos Santos Padilha, que possui uma procuração assinada pelos sócios para poder exercer a função. O advogado da empresa, Emiliano de La Costa, disse que a fiscalização estaria inventando acusações contra seus clientes e explicou que Souza e Spagnolo apenas ajudaram Padilha, que está regularizando sua situação com a Cerasa e o SPC, a voltar aos negócios depois de quatro anos. ‘‘O único problema é que não foi atualizado o endereço na Receita Estadual e o fiscal apreendeu exatamente a primeira compra’’, disse De La Costa, que também passou a defender ontem a Rosa Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas de Boituva (SP).
A fábrica e a transportadora de Toledo que levou a carga a Foz deverão pagar multa de R$ 21,4 mil. O procurador afirmou que assim que uma das partes solicitar a mercadoria, ela será autuada por falsidade ideológica e sonegação fiscal.

mockup