Carga pesada, motorista moderno
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quarta-feira, 11 de junho de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A cada temporada surge o ''novo tudo''. Na moda, o novo preto. Na música, o novo rock. No verão, o novo hit. Nas ruas, a nova tribo. Fora dos modismos urbanos, mas desfilando pelas estradas do Brasil, carregando o País na carreta de um caminhão, surge uma nova geração de motoristas, mais especializados e em sintonia com a tecnologia. Hoje, não basta saber dirigir, tem de entender de computador de bordo, GPS, Google Maps, leitura de sinalização, painel de controle.
Enfim, o mundo do muito moderno chegou também às estradas. E para adaptar o novo caminhoneiro ao novo instrumento de trabalho, um curso foi oferecido durante esta semana em Curitiba, ensinado na prática e na teoria como será o caminhão do futuro - que, aliás, já é uma realidade do presente. O curso ''Motorista Profissional'' foi realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem de Transporte (Senat), de Curitiba, em parceria com a Volvo do Brasil e a Rodo Línea, e atendeu caminhoneiros de Curitiba e Região Metropolitana.
''Hoje, o caminhão não é um bicho de sete cabeças, mas de sete sensores'', metaforiza Alcir Silva Júnior, instrutor responsável pelo curso. Segundo Silva, o perfil do motorista do futuro é este: não basta ter a permissão e saber dirigir um caminhão, é preciso uma formação mais elaborada. ''As empresas estão atrás de motoristas que dominem essa tecnologia. Atualmente, a maioria ainda sabe como mexer com as ferramentas que o caminhão oferece. Os motoristas têm vícios e falta de conhecimento'', diz. O resultado do despreparo é um maior gasto de óleo diesel, de freios e transmissão.
O instrutor diz que a maioria dos motoristas que procura a profissionalização pertence à nova geração de caminhoneiros. ''A procura é maior entre motoristas iniciantes, que estão preocupados com o currículo e as exigências do mercado'', conta. Silva diz que os motoristas mais antigos acreditam que a instrução é perda de tempo e dinheiro. E alerta: quem não souber dirigir um caminhão equipado vai ficar de fora do mercado, já que as empresas estão exigindo pessoal qualificado.
Os caminhões equipados com computador de bordo, que oferece ao condutor todo intinerário do trajeto, o desempenho e os gastos, estão rodando nas estradas há cerca de 10 anos. São os chamados ''Top Line''. Silva diz que hoje a frota de caminhões modernos ainda é menor, mas o desempenho é melhor. Acredita, porém, que devem tomar as estradas daqui para frente.
É o que pensa Alessandro Malinoski, 30 anos. Caminhoneiro há 10, ele diz que cursos como esse são importantes para o novo motorista. Como ele próprio afirma, não quer seguir o exemplo de muito colegas que ''pararam no tempo''. ''Conheço muita gente que acha que só a experiência basta. Mas se não souber o que aprendemos aqui, como vai usar o equipamento?''
Malinoski conta que o curso foi exigência da empresa em que trabalha. Para ele, cursos profissionalizantes são como a faculdade dos caminhoneiros. Ele, porém, não se considera formado. ''Ainda não sei tudo. Tenho que aprender mais'', acredita. No que diz respeito a guiar os novos caminhões, Malinoski afirma que é quase igual aos antigos, o que muda mesmo é a tecnologia e o conforto. ''O desempenho nas estradas dos caminhões modernos é bem melhor. Tem muito mais força''.
Com uma história diferente, mas com a mesma paixão pelos brutos da estrada, Gizelda de Jesus Godoy, 27 anos, também estuda para ser uma motorista antenada. Ela só tem a carteira de categoria E, que permite dirigir caminhões, mas nunca conduziu um pelas estradas. De família de caminhoneiros (o pai foi e o irmão é), ela hoje trabalha como cobradora de ônibus, sonhando com o dia de pilotar uma dessas máquinas moderníssimas.
Tanto que, para fazer o curso, teve de fazer um empréstimo para pagar os R$ 290 da inscrição. ''Acho que deveria ser lei as aulas de profissionalização. Quem não se atualizar vai ficar para trás, com certeza''. acredita. Ela toma como exemplo o irmão, que é caminhoneiro e pilota um carro semelhante ao que ela usou nas aulas. ''Tenho conhecimento e técnicas que ele não tem. Capacitação nunca é demais'', afirma.


