Carga de BHC é derramada no acostamento da rodovia PR-218
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Maurício Borges Arapongas 
Odair StraliottiProduto tóxicoCarga tóxica derramada na margem de rodovia; crime ambiental foi cometido provavelmente com ajuda de caminhão basculanteUma carga de BHC, produto altamente tóxico e que tem venda proibida desde 1973, foi despejada numa das margens da rodovia PR-218, junto ao trevo de acesso ao aeroporto de Arapongas (30 km a sudoeste de Londrina).
Os 30 sacos do agrotóxico, com peso total de 800 kg, foram encontrados por funcionários da Sementes Balu, anteontem, às 15 horas. Segundo eles, a desova do material aconteceu, provavelmente, no início da tarde de segunda-feira.
O risco no manuseio do produto e a rapidez com que foi deixado, sem que ninguém tenha visto, deixa evidente que os responsáveis pelo crime ambiental devem ter utilizado um caminhão do tipo basculante.
A secretaria de Serviços Urbanos informou o IAP sobre o derrame da carga e adotou medidas preventivas, para evitar riscos de contaminação. O diretor da secretaria, Antônio Itamar Chiapim, providenciou a cobertura de todo o material com lona. Um guarda é mantido permanentemente no local.
Agrônomos do Núcleo de Apucarana da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), levaram para o local equipamentos de segurança para remoção do material tóxico. Os agrotóxicos clorados, como o BHC - antes utilizado como inseticida nas lavouras de café -, foram proibidos por causa de seus efeitos cumulativos no organismo humano.
Além disso, os agrotóxicos clorados têm uma degradação muito lenta, num processo que dura mais de 50 anos, causando graves danos ambientais, disse o agrônomo Celso Roberto Ritter.
A destinação do BHC encontrado em Arapongas causou polêmica entre o diretor da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e o químico Roberto Gonçalves, do IAP. O maior problema era encontrar um local apropriado para a destinação transitória e depois definitiva do agrotóxico.
Chiapim reclamou mais agilidade do IAP. Já Gonçalves disse que o destino do material não é competência do órgão e nem da Seab. O IAP vai avaliar e autorizar um local apropriado para depósito do BHC, que necessariamente precisa ser longe de mananciais hídricos e minas, e nem pode ter acesso de pessoas e animais, disse o técnico do IAP.
Segundo Gonçalves, o único depósito de lixo tóxico do Estado está situado em Tamarana. O problema é comum em todo o Estado, onde existe muito agrotóxico deste tipo depositado em propriedades rurais, avalia.
Ele alerta que os produtores devem observar todo o cuidado no depósito de agrotóxico clorados, e buscar orientação de técnicos da Seab ou Emater para qualquer manuseio.
O que aconteceu em Arapongas é crime ambiental, que resultará em denúncia ao Ministério Público, disse Gonçalves. Caso o responsável seja descoberto, ele poderá ser punido com multa diária de até R$ 900,00 e ainda sofrer processos administrativo e criminal.
Funcionários da prefeitura, usando botas, capas, luvas e máscaras aguardavam ontem à tarde uma definição sobre a remoção do lixo tóxico. O material seria embalado em sacos plásticos e acondicionado dentro de tambores, para posterior isolamento em local autorizado pelo IAP.


