Carga de 17 toneladas de moeda pára trânsito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Baiano de Salvador, o vendedor de sorvetes Paulo Henrique da Silva, 22 anos, parecia não imaginar que tinha diante dos olhos tanto dinheiro junto. Ele era um das centenas de curiosos que pararam para ver o descarregamento de uma carga estimada em 17 toneladas de moedas na agência central do Banco do Brasil, no Calçadão de Londrina, no início da tarde de ontem. O dinheiro chegou de avião e deverá ser distribuído entre as agências do Norte do Estado.
Sem poder se aproximar muito dos seis carros-fortes e dos dois caminhões-baú carregados com caixas e caixas de moedas por causa do forte esquema de segurança que foi montado pelas polícias Civil e Militar, o ambulante primeiro disse que se pudesse encheria o carrinho com o dinheiro e fingiria que era sorvete. Mas depois de pensar um pouco mudou de idéia: ''Eu ia era ajudar os pobres do sertão da Bahia que estão passando necessidade porque pobre nunca ganha presente e quando ganha é tudo por interesse''. Já o também sorveteiro Antônio Carlos dos Santos, 29 anos, investiria boa parte do carregamento em terras. ''Iria comprar muitas fazendas, com bastante 'ésses'', brincou.
Se a carga, ou pelo menos parte dela, fosse parar nas mãos de Mauro Vieira, 41 anos, os menos afortunados também seriam os beneficiados. Zelador desempregado há oito anos, ele falou que conseguiria ''ajudar todos os pobres do Brasil''. Depois, compraria ''umas mil mansões e ainda sobraria dinheiro''. Para os amigos estudantes Pedro Henrique Dutra de Freitas, 18 anos, e Flávio Soares Pandolfo, 17 anos, o dinheiro deveria ter sido devolvido por algum político corrupto arrependido. Mas, eles continuariam estudando se tivessem tanto dinheiro nas mãos? ''Mas que pergunta?'', gargalharam.
Brincadeiras à parte, o fato é que o dinheiro vai sim chegar às mãos da população. Mas antes, segundo a assessoria do Banco do Brasil, as moedas servirão para atender a demanda das agências bancárias da região. A carga chegou em um Boeing 727 de uma empresa de transportes por volta das 11 horas e toda a operação de carregamento nos caminhões e de descarga no banco durou até depois das 15 horas. Por motivos de segurança, a assessoria não informou o valor nem confirmou o peso da carga.


