Três famílias carentes que ocuparam terrenos municipais no Conjunto Guaiapó, em Maringá, terão que deixar a área. A Procuradoria Jurídica da prefeitura vai tentar uma saída negociada com as famílias, mas se não houver entendimento, vai entrar com pedido de reintegração de posse na Justiça. O objetivo é impedir a formação de favela em Maringá.
Os barracos de madeira estão em um fundo de vale ao lado de uma reserva de mata nativa. As famílias cercaram a área para impedir a presença de animais e afirmam que só vão deixar o local se a prefeitura doar casas populares. Uma das famílias está no local há dois anos e as outras duas construíram os barracos há cerca de seis meses.
O aposentado Manoel Francisco dos Santos, 48 anos, construiu um barraco com dois cômodos, onde vive com um filho de 15 anos. Ele é aposentado por invalidez e diz que não consegue emprego. A aposentadoria de R$ 130,00, segundo Santos, não é suficiente para pagar aluguel e garantir a sobrevivência dele e do filho. Por isso, decidiu ocupar o terreno em Maringá, onde vive há seis meses.
A desempregada Clair Terezinha Gomes, 34 anos, seguiu os passos do amigo e também construiu uma casa com três cômodos, ao lado do barraco de Santos. Ela tem dois filhos e garante que não estava conseguindo pagar aluguel com o salário de empregada doméstica. Clair diz que morava em Sarandi e que ficou desempregada ano passado sendo obrigada a deixar a casa onde morava. ‘‘Fiquei sabendo que tinha algumas pessoas morando aqui e também vim porque não tenho para onde ir’’, explica.
As três famílias não contam com energia elétrica e obtém água de poço artesiano. Clair afirma que não se importa com a falta de energia elétrica e que gosta do local porque é tranquilo e tem muito espaço para os filhos brincar.
A exemplo de Souza, Clair também cercou a área e aproveitou o terreno para plantar cana-de-açúcar e mandioca. Clair e Souza se ajudam no trabalho de recolher papel. Ela tem uma carroça e ele, um cavalo. ‘‘Ele me empresta o cavalo e a gente sai juntos para catar papel na cidade’’, diz. Além do dinheiro proveniente da venda de papéis, Clair diz que consegue sobreviver graças a ajuda de comerciantes que doam sobras de verduras e legumes.
De acordo com o procurador jurídico da prefeitura, Octávio Salvadori, as famílias terão que deixar a área. Ele prometeu tentar uma solução negociada, mas se não houver acordo, entrará com um pedido de liminar de reintegração de posse. Para Salvadori, as famílias estão totalmente irregulares, já que a área que ocupam é de preservação permanente por ser fundo de vale. Além disso, segundo o procurador, a ocupação do terreno não faz sentido, já que a prefeitura dispõe de vários programas de habitação popular. Salvadori disse ainda que não vai permitir a formação de favela na cidade.

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