Carentes têm aulas de informática
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sexta-feira, 13 de março de 1998
Sid Sauer 
Simone GirotoInstrutor Róbson Bittencourt dá aulas de informática no abrigo: alunos interessadosDezesseis meninos de famílias de baixa renda de Campo Mourão começaram a participar esta semana de cursos de informática. As aulas acontecem no Abrigo Provisório A Mão Cooperadora, que é mantido pela Igreja de Deus. Dois dos três instrutores do curso também são abrigados do programa e até há pouco tempo eram meninos de rua. Vou repassar a eles tudo o que estou aprendendo, diz um dos instrutores, Róbson Bittencourt, 15 anos.
O jovem professor diz que adora computadores. Por isso mesmo, assim que conseguiu um emprego nos Correios, através de um convênio com A Mão Cooperadora, se matriculou num curso particular de informática. Róbson é aluno de informática até às 9h30, vira professor a partir das 10 horas, a tarde é funcionário dos Correios e à noite estuda numa escola da cidade. Estou apurado, mas quero me formar, diz.
A idéia de se tornar professsor de informática dos colegas deixou Róbson empolgado. Eles estão bem interessados, conta. Ele diz que está tendo que começar com aulas de datilografia, que são as mais chatas, mas que mesmo assim o interesse tem sido bom. Imagine a hora que eles começarem a trabalhar com o computador mesmo?, ressalta. Um de seus alunos é Clemílson Lino, o Lambari, 14 anos, o mais famoso ex-menino de rua de Campo Mourão.
Emprego O curso é bom porque nos dá a chance de arrumar um emprego bom, diz Clemílson. Ele já fez outros dois cursos de informática em escolas particulares, através de convênio com A Mão Cooperadora, mas admite que ainda tem muito o que aprender. Gosto de desenhar no computador, confessa. Ele diz que também gosta de copiar textos porque pratica o teclado e aprende a escrever várias palavras da forma correta.
As aulas de informática no abrigo começaram esta semana, depois que a entidade recebeu quatro microcomputadores através de um convênio firmado entre a prefeitura e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente. Além de membros da A Mão Cooperadora, o curso também vai atender alunos do programa Jovem Cidadão, mantido pela prefeitura, e até mesmo crianças indicadas por outras entidades e escolas, desde que sejam realmente carentes.


