Carecas por solidariedade
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terça-feira, 17 de novembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Os integrantes de um grupo de peladeiros rasparam a cabeça em solidariedade a um amigo com câncer e estão desafiando a todos que têm amigos ou parentes passando pela mesma situação a fazer o mesmo. Há oito anos, o engenheiro Michael Lundgren Rodrigues estava jogando no Londrina Country Club quando sofreu uma convulsão. O amigo Paulo Alho relata que, no momento, as pessoas acharam que era brincadeira, mas depois constatou-se que era um sintoma de um tumor benigno do tamanho de uma laranja que ele tinha no cérebro.
"Foi feita a cirurgia, mas não foi possível retirar 100% desse tumor e o pós-operatório foi complicado", destacou Rogério Dutra, amigo de Michael. Rodrigues acabou perdendo a visão de um olho na cirurgia. Mesmo assim, outro amigo, Aguinaldo Kemmer, garante que Rodrigues levava uma vida normal depois desse episódio. "Ele vinha em nossas partidas de futevôlei frequentemente, cabeceando, correndo, se exercitando, até então sem nenhuma anomalia", afirma.
Embora Rodrigues tenha feito o tratamento adequado e, aparentemente estivesse livre do problema, o tumor voltou a crescer. Foram realizadas novas baterias de exames e com eles Rodrigues e a família passaram por novas situações de estresse. "Realmente não deve ser nada fácil passar por este momento", declara Kemmer.
Para descontrair, o grupo de amigos eles afirmou que se a cirurgia fosse bem-sucedida todos raspariam a cabeça em solidariedade Kemmer, conhecido como Guina, foi um dos idealizadores da ação de raspar a cabeça e criou um grupo no WhatsApp para que os amigos dessem essa força a Rodrigues. Denominou o bate-papo virtual de Grupo dos Carecas. "Foi um ato de solidariedade para motivá-lo a encarar o desafio", destaca.
Depois de Rodrigues sofrer a nova cirurgia, tudo transcorreu bem. "O resultado foi emocionante. Logo que ele despertou fez um sinal de positivo", relata Kemmer. Ainda na UTI, pediu para ver como a "galera" ficou careca. "Meu pai tinha falado que os amigos iriam fazer isso, mas não acreditou muito. No dia da cirurgia a gente estava com o celular dele e eles foram mandando as fotos com as cabeças raspadas. O pai ficou muito feliz", relata Lucas Brunetti Rodrigues. Outro filho de Michael, o advogado Pedro Brunetti Rodrigues, não esperava esse engajamento da turma. "Achei que eles estavam só brincando."
Para o professor Reynaldo Ferraz Ramon, cada integrante do grupo precisa apoiar o outro numa hora dessas. "Era um momento difícil, tenso e amigo é para isso. Tem que apoiar. Estamos junto com ele, torcendo pela recuperação."
A partir daí, os integrantes perceberam que a iniciativa transcendeu o grupo. "As pessoas queriam saber o porquê de estarmos careca e quando a gente explicava, todos se sensibilizavam", destaca Kemmer. "Tenho uma amiga que estava passando por um problema semelhante e que seria submetida a uma cirurgia no mesmo dia que o Michael, só que a dela era à noite. Passei a mesma informação e a mesma motivação e foi muito legal porque ela se sentiu confortada e foi mais preparada espiritualmente para enfrentar a cirurgia. Hoje ela já está se recuperando", celebra.
Rodrigues não cansa de elogiar o apoio que recebeu dos amigos. "Fico emocionado. É uma coisa bacana. Uma coisa é você ter que raspar a cabeça para sofrer cirurgia. Outra coisa é uma pessoa raspar só pela amizade", diz. "A gente fica muito feliz em ter apoio dos amigos. É uma cirurgia séria, que abre a tampa da cabeça." Dos 60 pontos na cabeça, ele já tirou 30 e espera receber a liberação dos médicos para voltar logos às peladas.
Durante o encontro semanal da turma depois da cirurgia, Thiago Brunetti Rodrigues e seus irmãos também rasparam a cabeça. "Vale a pena. A recuperação está sendo ótima e a homenagem que os amigos fizeram o deixou superfeliz em casa. Ele pediu para que os filhos viessem aqui para agradecer. Em mais alguns dias ele estará aqui também", declara Thiago. "A vida dele é se reunir com esse pessoal. Logo ele estará de volta à ativa."


