Carcereiro é feito refém no 2º DP
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Mais um episódio de violência ocorreu ontem pela manhã, no 2º Distrito Policial, na Zona Leste de Londrina. Por volta das 8 horas, cerca de 150 homens, mantidos em cinco contêineres (utilizados como celas), tentaram fugir da delegacia, rendendo um auxiliar de carceragem. Como não houve possibilidade de fuga, os presos se rebelaram e teve início a negociação com as polícias Militar e Civil para liberação do refém e a entrega de duas armas, uma pistola 380 e uma arma calibre 38. Por volta das 11 horas os presos entregaram.
O caso mobilizou cerca de 30 policiais do Pelotão de Choque do 5º Batalhão da PM, além de policiais civis e integrantes do Corpo de Bombeiros. Enquanto não se iniciava a negociação, os presos estavam bem agitados. Do lado de fora, era possível escutar muitos gritos e disparos de arma de fogo.
''Eu tinha acabado de levantar e escutei vários tiros. Eu morro de preocupação porque meus netos passam a manhã comigo. Já pensei em me mudar, mas faz 27 anos que moro aqui e por sorte, nada nos aconteceu'', contou a dona de casa Dorotéa Fernandes, que mora em frente à delegacia, localizada na Vila Santa Terezinha.
Mesmo com o cordão de isolamento, muitas pessoas tentavam chegar perto do portão do 2º DP para saber notícias dos presos. Desesperada, uma mulher que não quis se identificar buscava informações sobre o marido que está preso há sete meses. ''Ele está nesse inferno e ninguém faz nada. Ele não consegue transferência de jeito nenhum. Estou desesperada porque eu já escutei um monte de tiros'', realatou.
Capacidade
De acordo com o delegado do 2º DP, Cássio Wzorek, estava agendada uma transferência de 35 presos, que foi interrompida pela rebelião. Ele afirmou que vem sendo realizado um trabalho junto com a Vara de Execuções Penais (VEP) para a remoção de mais homens. ''Temos que nos empenhar para que haja uma transferência de um número significativo de presos'', afirmou.
Atualmente, o 2º distrito está quase com o dobro de sua capacidade. São 350 homens em celas que deveriam ser ocupadas por 188. ''A situação foi controlada, mas o 2º DP continua crítico. A gente, enquanto Polícia Civil, aguarda que medidas sejam tomadas para que transferências ainda ocorram e que nós possamos respirar um pouco melhor'', ressaltou o delegado-chefe da Polícia Civil, Márcio Amaro.
De acordo com ele, um dos pontos cruciais para que os presos acabassem com a rebelião era a garantia de que o Pelotão de Choque da PM não entraria nas celas. ''A preocupação deles é de que sofressem algum mal físico. Nós empenhamos nossa palavra de que o Choque não entraria, apenas os agentes da Civil'', disse.
Apesar dos diversos disparos ocorridos de dentro das celas, ninguém ficou ferido, segundo a polícia. O auxiliar de carceragem foi liberado logo após a entrega das armas e passa bem. Ele não quis dar entrevista. Com o fim da rebelião, as celas passaram por revistas para verificar a existência de drogas e outras armas.
No último dia 7, os presos do 5º Distrito Policial, na Zona Norte, iniciaram uma rebelião. Houve tentativa de render o carcereiro, mas ele conseguiu fugir a avisar a polícia.


