Carcaça é feita a partir de liga de cobre e latão
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sábado, 25 de agosto de 2001
Chiara Papali<BR>De Londrina 
Fabricantes de hidrômetros são categóricos os instrumentos não têm outra finalidade a não ser a medição de água consumida numa residência. ''E em função da vazão domiciliar, só mede a água potável e fria'', afirmou o diretor comercial da Arad do Brasil, João Bosco Marinho. A empresa, da cidade de Estância (SE), é uma das fornecedoras de hidrômetros para a Sanepar.
A empresa Lao Indústria, de São Paulo (SP), que também fornece o equipamento para a Sanepar, explica que o hidrômetro é composto de carcaça metálica fabricada a partir de liga de cobre e latão, além de conjunto de peças plásticas e o relógio que faz a marcação.
Para explicar o motivo do furto de hidrômetros, os fabricantes acreditam no valor comercial da liga metálica do qual é produzido. O latão é uma liga de cobre e zinco. ''O nosso produto tem o mínimo de 60% de cobre, pesa em torno de um quilo e meio, pode ser derretido em fundição e revendido como sucata'', disse Marinho.
Em nota enviada através da assessoria de imprensa, a Lao Indústria também levanta outra hipótese: ''a sua reutilização em outra residência, neste caso em cidades vizinhas''.
Em Londrina, um inquérito está aberto no 3º Distrito Policial. De acordo com o delegado Marcos Belinati, ainda não há nenhuma pista de quem está praticando os furtos. ''Trabalhamos com duas hipóteses: pessoas que se interessam na reutilização de peças ou do metal, e a segunda, de que as próprias empresas fabricantes estariam por trás dos furtos'', afirmou.
Proprietários de ferros-velhos estão preocupados em ter a imagem vinculada ao crescente número de furtos de hidrômetros. ''Nossa imagem fica ruim com a população'', reclamou Maurício Pedro Sanches, no ramo há 18 anos. ''A gente não compra essas coisas'', disse José Valdir Batista, proprietário de um ferro-velho há 30 anos.
Segundo os donos de ferros-velhos, o lucro seria mínimo se os ladrões vendessem o latão por peso, cerca de R$ 1,70 o quilo. ''Não sei quanto aquilo pesa, mas deve ser mais ou menos meio quilo. Para que alguém vai roubar um hidrômetro para ganhar R$ 0,80 nele?'', questionou Sanches.
O gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, Paulo Kishima, também acredita que a carcaça de metal pode estar sendo reaproveitada de alguma forma. ''Me dá a impressão que estão derretendo o metal para fazer outras coisas'', disse. Sanches levantou outra hipótese: ''Já ouvi boatos de que os hidrômetros estariam sendo levados para o Paraguai, para serem vendidos lá'', disse.


