Caravanas do MST se reúnem para inaugurar obra de Niemeyer
Na véspera do primeiro aniversário da morte do agricultor Antônio Tavares Pereira, em confronto com a Polícia Militar, em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) inaugurou ontem um monumento em homenagem a ele. Criada pelo mais respeitado arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer, a obra tem 10 metros de altura e foi erguida em um terreno particular, junto à BR-277, a poucos metros do local onde o agricultor foi assassinado, em 2 de maio do ano passado. Segundo representantes do MST, o monumento representa a luta dos sem-terra pela reforma agrária.
A cerimônia de inauguração, durou toda a manhã de ontem e teve participação de cerca de 3 mil pessoas. Metade dos participantes, integrantes do MST, veio em caravanas do interior do Estado e de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Além da inauguração do monumento, eles participam da programação do Dia do Trabalho e do Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio, que será realizado hoje em Curitiba.
A programação, segundo o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, quer garantir os direitos constitucionais dos sem-terra. Frigo disse que a obra de Niemeyer é um símbolo da liberdade de manifestação. O advogado questiona o fato de Justiça Militar ter arquivado o processo da morte de Pereira.
O processo foi arquivado pelo juiz militar José Carlos Dalacqua, que considerou inocente o soldado Joel de Lima Santa Ana, acusado de ser o autor do tiro que matou o agricultor. Para a viúva de Pereira, Maria Sebastiana Pereira, de 36 anos, a justiça não foi feita. Maria tem cinco filhos, com idades entre 5 e 16 anos, e conta que não recebe nenhuma ajuda de custo do governo. A morte do meu marido não mudou a situação dos sem-terra, mas dá força para que a luta continue, disse Maria.
Segundo o MST, desde 1995 foram mortos em confronto com a polícia no Paraná 16 sem-terra, 488 foram presos, 324 foram feridos, 31 sofreram tentativas de assassinato e 45 foram ameaçados de morte.
Para o bispo auxiliar de Curitiba Ladislau Bienarski, que abençoou o monumento durante a inauguração, a morte de um trabalhador é uma ofensa a toda a humanidade e o monumento em homenagem a Pereira é uma lembrança constante dessa repressão. Temos pouco a comemorar hoje (ontem, Dia do Trabalho), mas podemos lutar por uma vida melhor, enfatizou.
A obra de Oscar Niemeyer, que tem a imagem de um trabalhador com a foice na mão, teve um custo estimado de R$ 30 mil e foi construída com doações. O monumento consumiu cerca de 15 toneladas de cimento e levou um mês para ser concluído.





