''Por ordem do Pai eterno,
Bendito Seja.
A missão de Jesus Cristo
Ao mundo foi revelada.
Maria desde pequena tinha grande vocação
Ia ser a mãe de Deus,
Da divina encarnação''

Versos iniciais de uma abertura da bandeira ''Foliões do Bairro Jacutinga'', autoria de José de Souza, o ''embaixador'', a quem cabe fazer os versos e as músicas, sempre renovando o repertório. Geralmente, a melodia é muito limitada e o ritmo que Souza adota é a ''toada paulista'' e a ''toada mineira''. Uma apresentação da companhia, normalmente com 12 integrantes, demora duas horas, com a coreografia e a cantoria de abertura, meio e fim. Em cada parte, uma coletâneas de 25 versos, explica Souza.
Ao solista, segue-se um coro em uníssono e a sonoridade mais interessante é a dos músicos, muitos deles exímios. Viola, violão, bandolim, violino (ou rabeca), sanfona, percussão (caixa, reco-reco, pandeiro, triângulo) são os instrumentos mais usados; há grupos que incluem os de sopro (metais).
''Os grupos cantando ao som de instrumentos de corda, de porta em porta, pedindo os Reis, são seculares no Brasil, recebidos de Portugal onde continuam tradicionais e vivos.'' Eis uma definição segundo fontes de Luís da Câmara Cascudo, acrescentando que os foliões recebiam dinheiro, doces, frutas etc. ''Era a Folia de Reis. Podia o auxílio obtido destinar-se a uma festa religiosa, como a Folia do Divino, esmola para a do Espírito Santo; ou o grupo recebe e utiliza o arrecadado, sem cerimônias, como em Portugal e Espanha.''
Conforme outras fontes, em Portugal, no século 17, a Folia de Reis tinha a finalidade de divertir e no Brasil, aonde chegou no século 18, passou a ter caráter mais religioso; cantores e instrumentistas pela cidade cantando a visita dos três Reis Magos ao Cristo recém-nascido. ''A estrela que nos guia já surgiu lá no Oriente. Precisamos caminhar. Boa noite, nobre gente.''
As folias saem 12 dias, do Natal a 6 de janeiro, Dia de Reis, geralmente com 12 personagens: mestre, contramestre, três reis, palhaços e foliões. A coreografia pode ser até passos de frevo, que os palhaços da companhia ''Sultões do Oriente'' deram na abertura do 1.º Encontro em Ribeirão do Pinhal. (W.S.)

mockup