Caratê beneficia alunos com deficiência
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
Melhoria na coordenação motora, mais agilidade e autocontrole. Esses são apenas alguns dos benefícios que a milenar arte do caratê tem trazido a 50 alunos, de 10 a 30 anos, da Associação de Pais e Amigos de Pessoas Síndrome de Down (APSDown) e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece).
Desenvolvido há mais de 14 anos, o projeto "Síndrome de Down Arte e Vida em Movimento com Karatê" é fruto da parceria entre as entidades e a Universidade Norte do Paraná e foi idealizado pelo professor de educação física da Unopar, Mário Molari. As aulas são sempre às sextas-feiras e duram cerca de uma hora.
Molari conta que a ideia surgiu anos atrás, por causa de um aluno frequentou um curso oferecido à comunidade do Jardim Bandeirantes (zona oeste). "O menino tinha Síndrome de Down; percebi que ele se desenvolvia muito bem e que as aulas o ajudavam de várias maneiras", explica. A partir daí, o professor teve a ideia de adaptar os exercícios e as técnicas para grupos de pessoas com Síndrome de Down e deficiências múltiplas. Apenas as lutas foram suprimidas.
Wesley Penido da Silva, de 26 anos, estuda no Ilece e conta com alegria sobre as mudanças que o esporte trouxe para sua vida. "Tenho mais equilíbrio, velocidade para fazer as atividades do dia a dia e fiz até mais amigos", detalha o jovem, que participa do projeto desde o ano passado. "Gosto muito das aulas e procuro não faltar para não perder nada."
A aluna Ana Cláudia de Oliveira, de 21 anos, que tem deficiência intelectual, diz que também já sente as mudanças. "Hoje, eu estou mais concentrada, atenta e até já perdi uns quilinhos. Minha barriga sumiu", brinca a jovem, que participa das aulas há seis meses.
Molari complementa que a prática do caratê ainda melhorou a percepção do ritmo e do espaço, a noção de lateralidade, a agilidade, o autocontrole e a aptidão cardiorrespiratória. Isso é importante, segundo ele, especialmente para a pessoas com Síndrome de Down, que geralmente vem acompanhada de patologias e deficiências do coração e pulmões. "Os atletas também adquirem mais segurança e autoestima, principalmente nas apresentações públicas organizadas periodicamente", informa o professor.
De acordo com a diretora do Ilece, Rosângela Rosa da Silva, quase todos os alunos do instituto participam do projeto e os benefícios para a qualidade de vida são perceptíveis no dia a dia. "Nos vemos a mudança em tudo, no sistema cognitivo, afetivo e motor", ressalta. "Fora que eles se sentem muito mais seguros, a autoestima deles melhorou e conseguem interagir muito mais com os professores e os colegas."


