Caramujos infestam fundo de vale
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terça-feira, 29 de março de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Moradores vizinhos ao fundo de vale do córrego Baroré, na Vila Industrial (Zona Oeste de Londrina), estão preocupados com a infestação de caramujos africanos que assola o local. Sem informações sobre o molusco que pode medir até vinte centímetros, eles temem que o animal seja transmissor de doenças.
Donas de casa da região comentam que os caramujos invadem as casas e deixam rastros de gosma. ''É a maior sujeira'', reclamou Hélia da Silva Souza, 40. Outra preocupação é com a curiosidade das crianças que, encantadas com o tamanho dos bichos, não resistem em tocá-los. ''A gente faz uma 'piscininha' de lama e joga eles dentro'', contou Bruno, 11 anos, filho de Hélia. Por causa da traquinagem, o garoto teve uma reação alérgica à secreção do animal e acabou no posto de saúde. ''A médica me disse para não mexer mais'', disse.
Ana Maria Moraes, 40, também se assustou quando o filho Rodrigo, de 11 anos, apresentou febre por mais de 15 dias, dor de cabeça, sono e crises de vômito após brincar com os moluscos. ''Fiquei com medo que fosse esquistossomose e avisei o pessoal da secretaria de saúde. Eles colheram um exame mas não trouxeram resultados'', relatou. Assustado com a doença, Rodrigo não quer mais saber de brincar na beira do córrego. ''Estou com medo'', disse ele, que conta já ter visto cobras, capivaras e tatus no mato. Segundo Ana Maria, uma moradora da rua foi contaminada por esquistossomose.
O coordenador de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Alfredo Gonçalves, informou que os caramujos africanos não transmitem esquistossomose, como teme a população da Vila Industrial. ''Eles podem transmitir uma outra doença que nunca foi registrada no Brasil'', explicou. A doença em questão é um verme chamado de angiostrangiliase meningoencefálica. O parasita, segundo Gonçalves, costuma se localizar no sistema nervoso, debilitando-o. Entre os sintomas, ele cita dor de cabeça forte que pode durar por meses e febre baixa. Ao receber reclamações sobre infestação pelos animais, o procedimento da secretaria é visitar o local, recolher os bichos e levá-los para o aterro sanitário, onde são queimados e enterrados. O coordenador orientou os moradores a não tocarem nos moluscos. ''O ideal é proteger a mão com uma luva ou sacola plástica, recolher os bichos e ligar para a secretaria''.
Essa é a única maneira de eliminar os caramujos. ''Não adianta jogar sal ou cal. Isso só agrava o problema, porque as lesmas se dissolvem e ficam no solo'', afirmou. A roçagem de terrenos baldios também ajuda a diminuir a infestação. O telefone para informar sobre a presença dos animais é 0800-4001893.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), João Verçosa, informou que a empreiteira Visatec, responsável pela roçagem dos fundos de vale em Londrina, programou iniciar amanhã a limpeza da região do córrego Baroré. ''Eles vão fazer a capina, a roçagem e a retirada de entulhos'', explicou.
Os moradores também reinvidicam a reativação de um parque infantil que havia no local e que se deteriorou com o uso. Segundo Verçosa, a população deve entrar em contato com a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) para solicitar o serviço.


