A discussão sobre a instalação do ILS (aparelho que permite pousos e decolagens mesmo em condições atmosféricas desfavoráveis) no Aeroporto de Londrina precisa ser feita com mais seriedade, reclamou o procurador da Indústria Carambeí S/A, Carlos Henrique Schieffer. A empresa está no centro do debate porque é proprietária da área que poderá ser desapropriada para instalação do equipamento.
Schieffer afirmou que o prefeito Nedson Micheleti (PT), ''que não é engenheiro'', está equivocado quando diz que o problema seria resolvido apenas com a remoção de uma caixa d'água. Ele lembrou que o próprio secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, já apontou que além da caixa haveria necessidade também da demolição do segundo andar do prédio da empresa. ''Não converso mais sobre isso com o prefeito pela imprensa. A prefeitura, através do prefeito, tem que ter mais seriedade e assumir suas responsabilidades. Ele está brincando com um assunto que envolve milhares de pessoas'', disse.
O procurador da Carambeí garantiu que nunca foi procurado pela prefeitura nem pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) para discutir a desapropriação da área, que foi doado à empresa há cerca de 30 anos. Schieffer avisou que só volta a discutir esse assunto com a prefeitura quando as alternativas forem ''colocadas no papel''.
Ele também descartou a possibilidade da empresa devolver o terreno ao município. ''Investimos na área com capital próprio da empresa, cumprimos nossa responsabilidade social (geração de empregos) e não tivemos apoio nenhum da prefeitura'', rebateu. Conforme suas palavras, o decreto municipal que declarava a área como sendo de utilidade pública já caducou há mais de cinco anos.
A assessoria de imprensa do prefeito não quis comentar a crítica e informou que o assunto seria tratado pelo presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Otávio Cesário Pereira Neto. Ouvido pela reportagem, ele argumentou que um estudo baseado na planta em escala do local, feito por professores de Ciências Aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná, constatou que apenas a caixa d'água e a guarita do prédio estariam dentro do limite de 150 metros a partir do centro da pista e precisariam ser removidos. O segundo andar do prédio da Carambeí, segundo os especialistas, está 7,6 metros fora desse limite. Entretanto, a Secretaria Municipal de Obras precisa confirmar a informação, o que deve acontecer nos próximos dias. ''Isso poderá descartar a desapropriação'', disse Pereira Neto.
A coordenadora de administração e finanças da Infraero em Londrina, Sônia Savada, afirmou que a decisão de desapropriar ou não a área é da prefeitura. À Infraero cabe a reforma do saguão de passageiros e a ampliação de 300 metros da pista para instalação do aparelho. Segundo Sônia, o ILS deverá ser instalado somente em 2003, quando forem concluídas as demais obras.

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