Curitiba - O início do ano do taxista Altivio Dioko é marcado por uma tradição há 23 anos. "Venho todos os anos receber a bênção dos capuchinhos", conta. A bênção de veículos e objetos é realizada desde 1951 na Paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, pelos freis capuchinhos. "Desde que comecei, nunca sofri um acidente", comenta o taxista.
A bênção também é parte da rotina de início de ano do aposentado Luis Antônio Pedroso. "Desde que comprei meu primeiro carro venho aqui", conta. "Assim o veículo da família fica protegido", explica.
Já a aposentada Jesuína Duque passou a tarde ajudando os freis. "É meu terceiro ano como voluntária", conta. Apesar de não ter carro, Jesuína acha importante participar da tradição dos capuchinhos.
Freis capuchinhos e voluntários da igreja trabalharam das 6 às 21 horas de ontem. "A pessoa que procura a bênção tem que saber que Deus está sempre com a gente, mas também temos que fazer a nossa parte", explica o pároco Frei Alvadi Marmentini. "Não adianta pedir se no trânsito estamos irritados, nervosos. Porque Deus nunca falha, mas nós não podemos nos expor ao perigo", completa.
O fluxo de carros em frente à igreja dos capuchinhos foi intenso durante todo o dia. "Este ano o movimento deve ser menor que nos anos anteriores por causa do feriado no meio da semana, mas, mesmo assim, é sempre muita gente que vem buscar a bênção", avalia.
Para o frei, o trânsito é uma preocupação da vida moderna. "Aqui na paróquia a gente cansa de rezar missa para pessoas que perdem a vida em acidentes com carros, motos", diz. "O automóvel é uma ferramenta de trabalho tão importante. Não é possível que ele seja também fonte de tanta violência", lamenta. Este ano, além da bênção, os freis capuchinhos também distribuíram um jornal com informações sobre a história da tradição e dicas de segurança no trânsito.

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