Curitiba

Marcelo AlmeidaDurante todo o dia, 23 freis benzeram em frente à Igreja das MercêsComo acontece todos os anos, mais de 10 mil carros passaram ontem pela Igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, para receber a benção dos freis capuchinhos. A tradição, que se repete sempre na primeira sexta-feira de janeiro, tem origem italiana, na época da Idade Média, quando São Francisco de Assis costumava abençoar pessoas, animais e objetos.
‘‘Eu venho todos os anos porque acredito que a fé move montanhas’’, afirmou a representante comercial Vera do Rocio Barbosa, dona de um Santana Quantum. ‘‘Toda a minha família faz o mesmo e nunca tivemos problemas com os carros’’, conta.
O frei Messias Vicente Rodrigues explicou que, em Curitiba, a benção teve início em 1954, mas só a partir da década de 70 é que começou a ser feita de forma organizada.
Hoje, os carros se alinham em filas organizadas pelo BPTran e 22 freis cuidam das bençãos, que começam antes das 6 horas e se estendem até às 20 horas.
Quase todos os motoristas agradecem pela benção com uma contribuição em dinheiro, mas ‘‘isto é espontâneo, só paga quem quer’’, garante o frei. Ele explica que a palavra benção é originária do hebraico Abba, que significa pai e representa a vida, a presença de Deus.
Segundo frei Messias, a benção acontece sempre na sexta-feira por este ser o dia consagrado ao coração de Jesus. ‘‘A primeira semana do ano foi estipulada por ser um momento de busca de tranquilidade’’.
O professor Devino Steffanello Mazzanetto, diz que benze seu carro todos os anos, desde que chegou em Curitiba, na década passada. ‘‘Eu acredito que os freis sejam representantes da autoridade divina e eu quero me sentir integrado a esta força universal, por isso venho até aqui’’.

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