Captando esperança em Cambé
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segunda-feira, 28 de março de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Cambé - A realidade das entidades sociais geralmente envolve muito trabalho e poucos recursos. A maioria delas precisa "passar o chapéu" para sobreviver e manter ações que são consideradas fundamentais para a sociedade, como o atendimento a crianças carentes. "Dependemos muito das doações. Se não fossem elas, não teria como manter o lar em funcionamento. Fazemos ações, como rifas", conta a irmã Aparecida Jardini, tesoureira do Lar Santo Antônio, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina).
É, portanto, a sensibilidade das pessoas que faz a diferença para este trabalho. E é ela também que poderá ajudar a manter as entidades de assistência social de Cambé. A cidade lançou a campanha "Invista no futuro da criança de Cambé", que visa arrecadar recursos para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente através das destinações do Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas. A iniciativa é do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cambé (CMDCA).
Na verdade, o fundo já existe há alguns anos, mas a partir de agora os doadores terão caminho facilitado, com a possibilidade de realizar as doações online, através do site da Prefeitura de Cambé. "A Prefeitura repassa subvenções (recursos financeiros) significativas para essas entidades, mas sabemos que não é suficiente. Se nossos empresários e munícipes se atentarem para esse fato, também estarão protagonizando ações que vão beneficiar diretamente os jovens do nosso município, o que é bastante relevante", ressalta a secretária de Assistência Social de Cambé, Angela Cristina Pascueto Amaral.
Instituição de assistência social mais antiga de Cambé, o Lar Santo Antônio, com 58 anos de história, é um dos pioneiros da captação de recursos do Imposto de Renda, com operações desde 2008. "É de suma importância, pois o investimento é retornado para as crianças. Ajuda na folha de pagamento dos funcionários, a comprar materiais e roupas", destaca a irmã Aparecida.
A instituição atende 120 crianças de 6 a 12 anos no contraturno escolar com oficinas de esportes, informática e cultura. O custo anual é de aproximadamente R$ 400 mil e perto de 25% vêm das doações do IR. "Sem esse dinheiro, a coisa ia apertar muito. Se a gente tivesse mais, poderia investir mais. É uma forma de investir na criança de Cambé para que tenham um futuro melhor", reforça a tesoureira. A lista de doadores da entidade conta com uma pessoa jurídica e nove físicas.
COMO DOAR
O processo de doação é bastante simples. Basta entrar no site da prefeitura (www.cambe.pr.gov.br) e clicar no link Serviços Online e escolher a entidade que deseja ajudar. O doador também pode destinar diretamente ao fundo, para que o CMDCA faça a distribuição. Em seguida será gerado um boleto, que pode ser pago até 30 de dezembro deste ano, que deverá constar na declaração de 2017. Caso o contribuinte não tenha cadastro no sistema, será preciso fazê-lo.
"Não há necessidade de doar tudo a uma mesma entidade, a pessoa pode distribuir a doação. A única obrigação é que a instituição esteja cadastrada no sistema do CMDCA", explica o presidente do CMDCA, Márcio José da Silva. Atualmente, segundo ele, há oito instituições aptas, mas a tendência é que esta lista aumente com o lançamento da campanha. Para realizar o cadastro, é preciso procurar o conselho. Entidades que coordenam ações de cultura e esporte também podem se cadastrar para receber a verba do fundo, desde que estejam cadastradas no Ministério do Esporte ou da Cultura.
Para ter direito a receber verba do fundo, é preciso ainda que a entidade faça um projeto de destinação e apresente ao CMDCA. O dinheiro pode ser usado somente para custeio do dia a dia, como para compra de alimentos, material didático e roupas para as crianças. Cada instituição deve prestar contas ao Tribunal de Contas do Estado. "Trata-se de um processo extremamente sério e seguro", garante a secretária.
Silva calcula que cerca de cinco mil crianças deverão ser beneficiadas. As empresas podem destinar até 1% do imposto devido e pessoas físicas, até 6%. No ano passado, 15 pessoas físicas e uma jurídica fizeram doações. Empresas e pessoas físicas de fora da cidade também podem doar.
O presidente da Associação Refúgio, Márcio de Carvalho, nutre a esperança de que a simplificação do sistema de doação possa sensibilizar mais contribuintes. "Antes a gente tinha que mandar um boleto por e-mail, que a pessoa só podia pagar no caixa da Caixa (Econômica Federal). E depois ainda tinha que tirar uma cópia e mandar para comprovar a doação. Era muito demorado, o que fazia muita gente deixar de doar. Agora será diferente".
Criada há 16 anos, a Associação Refúgio oferece atividades lúdicas e esportivas a quase 200 crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, no Jardim Ana Rosa. A entidade capta verba do IR devido há dois anos. "É um dinheiro importante, que responde por cerca de 10% do nosso orçamento."


