Captação de água foi automatizada
Para o atual prefeito de Santa Isabel, Clemente Aparecido Souza, um dos motivos que o elegeram foi o comportamento dele diante da epidemia. ''Se sou prefeito é em virtude do meu trabalho como médico e da ajuda que prestei à comunidade durante o surto.''
Segundo Souza, hoje, o momento é de recuperar a credibilidade da rede de água da cidade. ''De forma simples acabamos com a bagunça que existia'', diz o prefeito. Com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e do próprio município, a Prefeitura destruiu o antigo reservatório e transferiu o tratamento da água para a parte alta da cidade.
O local onde antes funcionava o tanque abandonado hoje virou um gramado. As casas vizinhas também foram retiradas do terreno, que não pertencia à Prefeitura na época. ''Nós legalizamos a situação e agora vamos cercar tudo'', garante o prefeito, que colocou um vigia 24 horas para cuidar da nova estrutura de captação.
O diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Santa Isabel, Antônio Aparecido Moreno, explica que o antigo reservatório funcionava próximo a um matadouro. A reformulação começou com a destruição de toda a estrutura de madeira, aterramento do local e construção de uma nova fonte de captação, totalmente automatizada.
A água do poço artesiano é bombeada para um novo reservatório, com capacidade para 1,250 milhão de litros, que fica a 2,8 mil metros de distância do ponto de captação. ''Quando o tanque enche, a bomba pára de funcionar automaticamente. O reservatório conta ainda com um hidrômetro eletromagnético que trata a água conforme a entrada do líquido no tanque'', informa Moreno.
Segundo ele, o Município quer agora iniciar a substituição da antiga rede de distribuição de água, que foi feita em ferro fundido. Para as novas instalações serão usados tubos de PVC de 200 milímetros de diâmetro. A obra ficará em torno de R$ 1,5 milhão. ''Vamos usar recursos próprios até que a Funasa repasse o restante da verba.''
Moreno relembra que, apesar das circunstâncias indicarem que a água foi a causadora do surto de toxoplasmose de 2001, não há metodologia científica que comprove a contaminação. ''A Organização Mundial de Saúde não reconhece os testes feitos pelos pesquisadores na época'', conta Moreno, citando que também foram realizados testes no leite, nas hortas e até nas carnes consumidas na cidade, ''mas nada ficou comprovado''. (M.G.)





