Érika Pelegrino
De Londrina
O Centro de Atendimento Psicossocial (Caps), um projeto da Divisão de Serviços Especiais em Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde, completou três anos de existência. A data foi comemorada na última sexta-feira numa reunião entre toda equipe e usuários em uma festa durante a tarde na Associação de Funcionários da Sanepar.
Os três anos do Caps foram marcados com algumas conquistas consideradas muito importantes pela coordenadora, a psiquiatra Patrícia Dias de Castro. Criado para atender pessoas que sofrem dos mais variados distúrbios mentais, o centro tem conseguido, segundo a coordenadora, resgatar estas pessoas, integrá-las na comunidade e fazer com que as famílias sejam mais participativas.
‘‘As famílias costumavam ter vergonha e hoje elas participam mais do problema. A comunidade, que tinha um certo preconceito, também está aceitando e entendendo melhor as pessoas com distúrbios mentais’’, afirma a psiquiatra. Outra conquista do Caps é estar conseguindo aumentar a quantidade de atendimentos.
‘‘Foram feitos investimentos na estrutura de funcionários e a nossa meta é a cada ano aumentar mil atendimentos, porque sabemos que a demanda é grande’’, conta. Em 1998 foram atendidos 20 mil pacientes e em 1999 deverão ser atendidos 21 mil.
Os casos mais comuns que chegam até ao Caps são de depressão grave e transtornos psicóticos, mas Patrícia Castro explica que são atendidos também casos de ansiedade, distúrbio de comportamento, alteração de rendimento intelectual, problemas orgânicos, entre outros. Segundo a psiquiatra, muitos destes pacientes são egressos de hospitais psiquiátricos. ‘‘Esta é uma outra conquista do Caps, pois estamos conseguindo diminuir as reinternações’’, afirma.
O serviço funciona 24 horas e oferece os mais diversos atendimentos: pronto-socorro psiquiátrico – que conta com seis leitos para observação e internação de curta permanência (sete dias), ambulatorial, terapia ocupacional, resgate de pacientes em casa (ambulância vai buscar o paciente em casa), psicológico.
Para os casos que necessitam há a semi-internação. De segunda a sexta-feira, os pacientes participam das 8 horas às 17 horas, das mais diversas atividades e passam por atendimentos médico, psicológico, entre outros. ‘‘Só não chamamos de hospital-dia porque não temos toda a estrutura hospitalar, mas é parecido’’, explica Patrícia Castro.
Os atendimentos são feitos por uma equipe multidisciplinar formada por 44 profissionais: médicos psiquiatras, psicólogos, enfermeiras, terapeutas ocupacionais, auxiliares de enfermagem e de terapia ocupacional, assistentes sociais e auxiliares de serviços gerais.
A coordenadora do Caps conta que muitos pacientes já estão sendo integrados na comunidade através de cursos. Ela cita o curso para garçons do Senac. ‘‘Nosso objetivo é que a pessoa venha cada vez menos até nós (Caps), não queremos criar dependência’’, explica.
Apesar das conquistas, o Caps enfrenta atualmente uma dificuldade: conseguir alugar um imóvel maior. A casa, localizada na Rua João XXIII, já está pequena para a demanda. ‘‘Enfrentamos o problema de encontrar um lugar adequado, mas também existe uma certa resistência em se alugar um imóvel para estes fins (tratamento de problemas mentais)’’, afirma. Já aconteceu, segundo Patrícia, de estar praticamente tudo certo para alugar, mas quando ficam sabendo qual será atividade desenvolvida voltam atrás.
Um dos objetivos do Caps, de acordo com a coordenadora, é justamente desmistificar o problema de saúde mental.
Serviço:
O Centro de Atendimento Psicossocial atende na Rua João XXIII, 95. Fone:á (43) 324-8288)O fim do preconceito e a participação das famílias dos pacientes é motivo de comemoração
Mário CesarRECUPERAÇÃODenise Faizano, que faz tratamento contra depressão, chegou a tentar o suicídio e acabou desempregada: ‘‘É fundamental que as pessoas saibam da importância deste serviço. Sem o Caps não conseguiria me recuperar’’

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