Capoeira com sotaque
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Durante cinco dias, a partir de hoje, o português será a língua universal entre capoeiristas de vários países que estão reunidos em Londrina para participar do Terceiro Campeonato Mundial de Capoeira Grupo Maculelê. Vindos da Espanha, da Colômbia e dos Estados Unidos, entre outros destinos, eles aprenderam a língua portuguesa em rodas de capoeira nos seus países de origem.
O domínio da língua, de acordo com Francisco da Silva, ou mestre Fran - criador do grupo Maculelê -, é fundamental para entender as mensagens das músicas e os aspectos da cultura brasileira envolvidos na prática do esporte. Entre os 89 estrangeiros, receberão a graduação 23 pessoas, que se tornarão aptas a dar aulas. ''Eles vão ensinar cultura brasileira, por isso, precisam conhecer o português'', explicou.
Mestre Fran é um dos grandes divulgadores da capoeira além das fronteiras brasileiras. Há oito anos, ele levou o esporte para a Georgia State University, nos EUA, onde conquistou adeptos que se encarregaram de divulgar a arte para outros estados norte-americanos. ''Hoje, há escolas em 11 cidades.''
Jacob Ensign, conhecido como ''Juba'', foi um dos alunos de mestre Fran que se encantou com a capoeira e, atualmente, dedica-se a ensinar a arte nos Estados Unidos. Proprietário de uma escola, ele conta que se ''apaixonou'' desde o primeiro contato com a arte, ainda na universidade. ''A capoeira é um aprendizado constante. É sempre um desafio'', afirmou.
Em português fluente, o instrutor Mario Sexton, 24, revela que se interessou pela arte marcial aos 14 anos, quando conheceu um brasileiro numa praia da Flórida. ''Comecei a jogar capoeira influenciado por ele e nunca mais parei'', disse ele, que hoje tem 25 alunos e, na quinta visita ao Brasil, fala quase sem sotaque.
Segundo Sexton, o esporte desperta o interesse dos norte-americanos pela música e pela dança. ''Não temos nada parecido em nossa cultura. As pessoas têm curiosidade porque acham exótico.''
Tianna Floyd, 28, leu um livro sobre o esporte e decidiu aprender. ''Me chamou a atenção a 'camaradagem' entre os praticantes. Também me interessei porque faz parte da história da cultura negra''. Para Larry Floyd, 32, praticante há oito anos, a música das rodas foi o principal motivo de seu interesse pela capoeira. ''A música mexe com os meus sentimentos. Quando estou jogando, esqueço o cansaço e o estresse.''
Em sua primeira visita ao Brasil, Teresa Cheshire, 29, está gostando de ver de perto o berço do esporte que escolheu para praticar. ''Me chamam a atenção a cultura e a amizade entre os praticantes.''
Como muitos outros capoeiristas internacionais, o colombiano Jarrison Ortega, conhecido como professor Pescador, entrou em contato com a capoeira por meio do filme ''Only the Strong''. ''Logo depois, em 1995, conheci um brasileiro que me ensinou a praticar. Hoje, dou aulas e estudo Educação Física para ter um olhar mais científico sobre o esporte'', contou. Na Colômbia, segundo ele, há mais de 15 grupos em várias cidades. ''Depois do Brasil, é o local onde mais se pratica capoeira na América do Sul.''


