Moradores de áreas ribeirinhas de cinco municípios do Oeste paranaense receberão filhotes de capivaras para reprodução e recomposição da fauna ao longo do Rio Andrade. A fauna e a flora do rio estão inteiramente degradadas. O povoamento com as capivaras, as maiores entre as espécies roedoras, é um dos componentes do projeto ‘‘Recuperação e Uso Sustentável de Bacias Hidrográficas junto a Comunidades Rurais de Baixa Renda’’, que começa a ser desenvolvido através do Projeto de Execução Descentralizada (PED), desdobramento do Programa Nacional do Meio Ambiente (PNMA) do Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal (MMA).
Já foram adquiridas cerca de 100 capivaras matrizes, por R$ 26 mil, junto ao Criadouro de Animais Silvestres Ecossistema, de Ribeirão do Pinhal (Nordeste do Estado), único autorizado a vender animais sob proteção legal. Segundo o ex-secretário de Meio Ambiente de Cascavel, o agrônomo José Augusto de Loyola, o criadouro entregará as primeiras 40 capivaras ainda este mês. As restantes serão entregues à medida em que o projeto avançar.
Loyola observa que a opção pelas capivaras se deve ao fato de que esses animais se reproduzem com facilidade. No futuro, os filhotes poderão ser aproveitados para abate, gerando renda para as comunidades, como prevê a proposta do PNMA.
Segundo o agrônomo, não há impedimento legal à venda de animais de origem silvestre desde que eles já tenham sido criados para esta finalidade. Os ribeirinhos deverão retribuir as capivaras recebidas com a entrega do mesmo número de filhotes criados por eles.
O programa envolverá associações comunitárias e cooperativas. A carne de capivara também deve enriquecer a alimentação da população de baixa renda, que enfrenta carência de proteínas.
A área envolvida no projeto para o Rio Andrade é próxima ao Parque Nacional do Iguaçu. ‘Não há como negar que ele é constantemente invadido por caçadores, o que é crime e representa sérios danos à fauna’’, destaca o agrônomo Daniel Dupré.
As capivaras matrizes serão mantidas em novos cativeiros que devem ser instalados no Zoológico de Cascavel. As matrizes farão companhia ao único animal da espécie que vive hoje no zoológico, com 4 anos de idade e 40 quilos de peso. Outros três animais da espécie que viviam no zôo acabaram morrendo e, como só restou uma capivara, não há mais possibilidade de reprodução. A fase reprodutiva das capivaras dura aproximadamente 6 anos e começa a partir de um ano e meio de vida.

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