Curitiba O comandante da 2 Companhia do Batalhão de Polícia de Guarda (BPGD), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), capitão Samuel Keskoski Gonçalves, de 45 anos, foi assassinado anteontem, durante um almoço de confraternização com a equipe de policiais militares que estava saindo da escala de serviço. De acordo com as informações repassadas ontem pelo chefe da Comunicação Social da PM, tenente-coronel Mauro Pirollo, o assassinato foi cometido pelo sargento Luiz Augusto de Oliveira, amigo de Keskoski.
O sargento Augusto teria bebido mais do que de costume e começado a atirar numa roda com outros sete policiais. O capitão Keskoski teria tentado se esconder embaixo de uma mesa e foi atingido na cabeça. Ele foi socorrido, mas morreu no Hospital Cajuru, em Curitiba, minutos depois do crime. O sargento foi dominado pelos colegas, que retiraram a arma pertencente à PM. Em seguida, o conseguiu fugir e foi recapturado ontem por policiais do Serviço Reservado (P-2) em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde a mãe dele mora. Augusto está recolhido no Quartel Geral da PM e está incomunicável.
''É lamentável uma situação como esta. A PM está novamente de luto'', relatou Pirollo. Como a atividade no complexo penitenciário é estressante, o capitão promovia todas as semanas um almoço. Os PMs faziam exercícios físicos, jogavam futebol e conversavam sobre as investigações. Os sete policiais que estavam no almoço estão sendo ouvidos e poderão responder processo administrativo caso tenham pecado por ''ação ou omissão''. Ou seja, caso seja confirmada negligência ou imprudência de qualquer um deles no almoço.
A PM ainda está instaurando um procedimento administrativo para apurar o fato e recomendar a expulsão do sargento dos quadros da corporação. O sargento entrou na PM em agosto de 1978. Já o capitão estava na corporação desde fevereiro de 1981. Os dois eram compadres no município de Jacarezinho. Pirollo nega que eles tenham discutido durante o almoço e atribui o assassinato à embriaguez.
O delegado Carlos Mastronardi já instaurou inquérito para investigar o crime. Os parentes do capitão serão chamados na semana que vem para prestar depoimento. Mastronardi encaminhou a guia de necropsia e pediu dados da PM sobre o sargento Augusto. ''Estamos atuando com cuidado para não invadirmos a competência da PM. Como o assassinato foi cometido no momento em que os policiais estavam de folga, temos que fazer o inquérito e apurar os fatos.''
O capitão Keskoski foi sepultado ontem às 17h30, no Cemitério São João Batista, em Jacarezinho. Uma companhia de 60 homens do 2º Batalhão da PM de Jacarezinho prestou honras fúnebres ao oficial. Segundo o tenente-coronel Ataídes Antônio Casarolli, a cidade recebeu a notícia com forte comoção. ''A cidade é pequena e a família do capitão reside aqui, todos são bastante conhecidos'', diz. Ele estava em Curitiba há cinco anos e deixa esposa, duas filhas e um filho. (Colaborou Adriana Savicki)

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