Londrina - A comunidade católica do Patrimônio Heimtal (zona norte de Londrina) está tendo que improvisar um local para suas celebrações desde que a Capela São Miguel Arcanjo foi interditada, há cerca de 20 dias, por problemas estruturais. A comunidade também não sabe se poderá realizar a tradicional festa em homenagem ao padroeiro em setembro, já que o salão paroquial ao lado da capela também foi interditado.
Não é preciso ser muito observador para logo na entrada notar duas grandes trincas próximas às torres da capela. As mesmas trincas também estão visíveis do lado de dentro. O piso já apresenta rachaduras e está com desnível e algumas paredes apresentam infiltrações.
Construída com tijolos assentados com barro, a estrutura foi feita originalmente em madeira na década de 1930 e refeita em alvenaria na década seguinte. Na capela eram realizadas missas nos sábados à noite e adoração eucarística às terças-feiras, além de batizados e casamentos.
Ademilson Mianutti, membro da pastoral econômica, explica que há seis meses as rachaduras aumentaram rapidamente de tamanho e a comunidade resolveu chamar a Defesa Civil para fazer uma vistoria, o que resultou na interdição. "Fazíamos pequenos reparos, mas agora os danos são na estrutura mesmo", explica. Ele conta que como o pároco responsável está em férias, a Arquidiocese foi comunicada, mas só no próximo mês poderão se reunir para decidir o que poderá ser feito.
Enquanto o padre não retorna de férias, a comunidade optou por realizar as missas na garagem da casa da paroquiana Ilda Fatobene Cantagalli. "Na celebração deste sábado coube todo mundo e como não choveu, arrastamos os bancos para fora também. Meus filhos e netos fizeram catequese nessa capela, é uma pena ver assim. Optamos por continuar com as missas aqui até a volta do padre. Até poderíamos ir para outra igreja, mas nem todos podem se deslocar e gostaríamos de continuar com a nossa comunidade. A nossa igreja é simples mas é muito bonita", explica.
Luzia Soria Batista é vizinha da capela há 30 anos e foi sua zeladora por 16. Hoje é a responsável pelas chaves e por receber os visitantes. "Agora ninguém mais pode entrar. Estamos tirando os bancos e imagens e depois temos que aguardar o que será feito. Minha fé diz que o prédio nunca vai cair, mas temos que ter precaução."
Além de ser ter sido seu local de trabalho, a Capela São Miguel Arcanjo também foi onde sua filha recebeu os sacramentos do batismo, primeira comunhão e do matrimônio. "As pessoas gostavam de se casar aqui e é muito triste o que está acontecendo. As crianças também estão sem catequese, porque as salas do fundo também foram interditadas e não sabemos se irão reabrir", lamenta.

Reformas
Luzia conta que também foi a responsável por solicitar recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) em 2008, o que possibilitou a reforma do prédio. Foram refeitas as pinturas externa e interna, trocado partes quebradas do forro e do telhado e feito uma vala com brita para evitar que o prédio sofresse com infiltrações.
Segundo Vanda de Moraes, diretora de Patrimônio Artístico e Histórico-Cultural da secretaria de Cultura, antes desta reforma o prédio já havia passado por uma restauração em 1993, através da Secretaria de Cultura e do Inventário de Proteção do Acervo Cultural (Ipac), um projeto da Universidade Estadual de Londrina. "Também houve uma outra intervenção pelo Promic, uns quatro anos antes dessa de 2008", conta.
Ela afirma que a capela já é monitorada há alguns anos e embora não seja tombada pelo patrimônio histórico, é de interesse histórico. "Eu digo que ali há o tombamento emocional, porque toda a comunidade cuida do prédio. Vamos aguardar o pároco voltar e nos reunir. No momento não temos verbas para um projeto para reparar os danos", destaca.

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