Capacitação prepara para o mercado de trabalho
Outra etapa da ressocialização é a capacitação dos indivíduos para recolocá-los no mercado de trabalho, batizada de Inclusão Produtiva para a População de Rua, um projeto único no País, anuncia Adriana Barrozo, coordenadora do Creas I. São oferecidos cursos de produção de vassouras a partir de garrafas pet, jardinagem, cultivo de plantas ornamentais, confecção industrial e o trabalho com papel reciclado.
Grupos são mantidos com recursos dos governos federal e municipal e tocados em parceria com a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) e o Instituto de Tecnologia de Desenvolvimento Social, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que oferece assessoria técnica por meio de oficineiros. A maior dificuldade é manter a regularidade dos grupos e comercializar os produtos, que hoje são expostos no Centro Municipal de Economia Solidária, no Centro de Londrina, como afirma Adriana.
Conforme ela, a adesão aos tratamentos psicológico e de terapia ocupacional é grande, mesmo após a ressocialização. A liberdade, a acolhida da rua é surpreendente. Só quando o educador entra no mundo do indivíduo ele entende que a pessoa busca a rua pela sobrevivência.
Ainda segundo Adriana, há casos em que o morador prefere continuar na rua, mas na maioria das vezes o indivíduo ajudado volta ao Creas para contar sobre seu progresso. Nossa meta é tirá-lo do Bolsa Morador de Rua e inseri-lo no Bolsa Família e continuar o acompanhamento até que ele esteja realmente inserido na comunidade, sem ajuda de benefícios, diz a coordenadora. Hoje, na população de rua de Londrina, 18 indivíduos transitam entre a rua e o abrigo e 14 escolheram não ser ajudados. São homens, com idade entre 35 e 40 anos, que vivem em locais movimentados da cidade, pois temem agressões. (M.G.)





