A integração de adolescentes que praticaram atos infracionais à escola depende do comprometimento da comunidade. A opinião é do chefe do Núcleo Regional de Ensino (NRE) em Londrina, professor Ronny dos Santos Alves, que participou anteontem da abertura do encontro de capacitação promovido pelo Projeto Murialdo para educadores da rede estadual de ensino, que termina hoje.
Responsável por executar medidas sócio-educativas de meio aberto junto aos adolescentes, o projeto os acompanha na prestação de serviço à comunidade e no programa de liberdade assistida. As atividades incluem a inscrição em cursos profissionalizantes a reintegração ao ensino regular através da escola. Muitos diretores, porém, resistem em aceitar matrículas dos garotos e garotas provenientes do Murialdo. ''Eles temem que o recebimento desses alunos estimule a saída de outros alunos, como já aconteceu em algumas escolas'', comentou Alves.
Por isso, o grande desafio dos educadores é conscientizar a família dos outros estudantes sobre a necessidade de aceitar os adolescentes. ''Para alcançarmos êxito, precisamos do apoio das outras instituições envolvidas'', afirmou ele, acrescentando que muitos meninos e meninas vindos do projeto chegam à escola sem qualquer noção de limite.
O projeto Murialdo atende, hoje, 250 garotos e garotas. Grande parte deles cometeu tráfico de drogas ou roubo. Apenas metade desse público frequenta a escola. Para a coordenadora do projeto, Jacqueline Micali, os diretores resistem em aceitar as matrículas por preconceito e falta de informação. ''A mídia divulga só os casos mais graves de atos infracionais cometidos por adolescentes, que não são a maioria, mas acabam estigmatizando os outros'', criticou ela.
O objetivo da capacitação é desmitificar o assunto e sensibilizar os educadores para a importância da escola no processo de integração. ''A inclusão acontece quando o adolescente deixa de ser apenas 'o garoto do Murialdo' para se tornar membro da comunidade'', considera. Segundo Jacqueline, os números obtidos no ano passado indicam boas experiências. De 90 adolescentes acompanhados na prestação de serviço à comunidade, apenas três reincidiram. No programa de liberdade assisitida, foram 75 reincidências entre 370 adolescentes.
Durante os quatro meses em que foi acompanhado pelo projeto Murialdo, o adolescente Marcos (nome fictício), 14 anos, escondeu dos colegas e professores da escola que estava em liberdade assisitida por porte ilegal de arma. ''Ninguém ficou sabendo'', contou ele, que cursa a sétima série e já frequentava a escola antes de cometer a infração.

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