Capacitação desafia portadores de deficiência
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quinta-feira, 03 de outubro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Com o aumento da competitividade no mercado de trabalho, a capacitação profissional fica cada vez mais valorizada. Para as pessoas portadoras de deficiências, esse é um desafio a mais para superar. Com quase 500 pessoas deficientes na lista de espera da Agência do Trabalhador (Sine), poucas têm curso superior ou segundo grau completo, o que dificulta mais sua inserção no mercado de trabalho exigida desde 1991 às empresas que possuem mais de 100 funcionários.
A falta de capacitação é uma das preocupações do 1º Conselho Municipal do Direito da Pessoa Portadora de Deficiência, eleito em setembro e que deverá ser nomeado até 14 de outubro. Tanto que entre os objetivos do conselho está a criação de um Centro de Treinamento Profissional para Portadores de Deficiência.
''Outra dificuldade é que a maioria (dos deficientes) não tem experiência profissional'', comenta Martinha Claret Dutra dos Santos, supervisora técnica do Programa de Apoio à Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho. Fator este, diretamente vinculado à falta de cumprimento da prática de contratação de portadores de deficiência.
Desde março deste ano, 109 pessoas portadoras de deficiência foram contratadas por empresas privadas de Londrina. Mas este número ainda está longe da demanda, que seria de 20 mil pessoas. ''No Brasil, estima-se que haja nove milhões de deficientes que deveriam estar no mercado de trabalho, mas menos de 1% está inserido; em Londrina, quadro não é diferente'', afirmou Martinha.
Ela também acrescentou que as empresas normalmente não querem investir em treinamento dos funcionários deficientes, que está previsto na legislação de contratação. ''Na verdade, eles querem aquele que tem deficiência de menor comprometimento. Como exemplo, desde março, apenas uma empresa da cidade contratou uma pessoa que utiliza cadeira de rodas'', destacou.
Na Viação Ouro Branco, 11 portadores de deficiência fazem parte do seu quadro de funcionários, sendo a maioria devido a problemas decorrentes de paralisia infantil. Há 14 anos, Gilmar Goiana da Silva foi o primeiro a ser contratado para a função de lavador externo de ônibus. ''Foi o meu primeiro emprego registrado e morria de medo de ser mandado embora, porque antes ficava de um a dois meses no emprego, sem registro, e era despedido sem nenhuma justificativa'', contou. Hoje, ele até treina os novos funcionários.
Os cobradores de ônibus metropolitanos Djalma Pedro Damasio e Estevam Simeão de Almeida, que trabalham na empresa há cinco anos e quatro meses, respectivamente, também estão satisfeitos com a oportunidade. Antes, prestavam serviços terceirizados a uma empresa estatal e se sentiam constrangidos por acharem que as vagas deveriam ser disponibilizadas para concursados.
O gerente do Recursos Humanos da empresa, Marcos Antônio Romero, confirma que para a contratação dos funcionários deficientes, requisitos sobre escolaridade tiveram que ser alterados, devido ao fato da grande maioria não preenchê-los. ''Mas a experiência tem sido gratificante e, com treinamentos posteriores, eles têm boa adaptação.


