Caos na saúde continua em 2011
Segundo dia de 2011 e tanto o Pronto Atendimento Municipal (PAM) quanto o Pronto Atendimento Infantil (PAI) continuam com o mesmo cenário do ano passado: superlotação e longa espera por uma consulta. No dia de ontem, um atendimento passava de dez horas para acontecer. A situação piorou durante a tarde, quando os Postos de Saúde 16 horas e os Hospitais Zona Sul e Norte começaram a encaminhar dezenas de pacientes ao PAM.
Revoltados, os pacientes pediram solução, mas reclamaram de terem sido hostilizados pelos funcionários do local, bem como intimidados pelos guardas municipais que ficavam nas portas. ''Não precisamos de polícia e sim de médicos. Já fui ao Posto do Leonor onde me mandaram para o HZN. Fiquei lá quatro horas e mandaram para cá, reclama o vendedor Gérson Barbosa, que esperava pelo atendimento da filha. Dois médicos faziam o atendimento no PAM. 235 fichas haviam sido abertas até a tarde de ontem.
Esperando atendimento desde às 8h30, a varredora Nair Coutinho Gregório estava indignada com o descaso à população. ''Estou vomitando, com febre, não aguento mais esperar. Fui ao posto e disseram que não tem médico.'' Desolada, a dona de casa Marta dos Reis já contabilizava mais de oito horas de espera com fortes dores. ''Sofri um acidente e estou com muitas dores na costela e braço. Disseram que vão atender depois das 23 horas'', revela.
No PAI a situação não era diferente. Um atendimento de uma criança demorava cerca de quatro a cinco horas, quando não mais tempo. O motivo era praticamente o mesmo: fechamento dos postos de saúde e falta de profissionais nos Hospitais Zona Sul e Zona Norte. Se um atendimento já era difícil, imagine quatro. Pois era esta a situação da doméstica Gisele Alves da Silva, moradora do Jardim União da Vitória (zona Sul). Com os quatro filhos e ela própria doentes, aguardava desde às 11 horas da manhã para ser atendida. ''As crianças estão com febre, vomitando. A menor já teve até convulsão em casa. Chegamos aqui e a sala estava lotada. Algumas pessoas foram atendidas, mas tem ainda mais gente esperando agora.''
A reportagem tentou falar com os responsáveis ou direção dos estabelecimentos. No HZS, o diretor clínico estava de férias e ninguém comentou o assunto. No HZN a orientação foi de que a diretoria só falaria hoje. No PAM e no PAI somente o secretário municipal de saúde estaria autorizado a falar, mas não foi encontrado durante todo a tarde de ontem.





