Josoé de CarvalhoBrechas jurídicasRachaduras em paredes do Fórum: local apresenta problemas praticamente desde a inauguração, em 1982 Teias de aranha por todos os lados, rachaduras nas paredes, vazamentos, poeira...
A descrição pode lembrar as casas típicas dos filmes de terror. Mas não é cinema, nem ficção. Muito menos diz respeito a uma estrutura condenada ou desabitada. Essa é a descrição de um prédio em que quase toda a população londrinense já entrou: o Fórum.
Os problemas estruturais do Fórum são antigos. Mais precisamente, existem desde a fundação, em 1982. Apesar das reclamações constantes, os defeitos persistem, mesmo os facilmente sanáveis, como os de higiene. Em outubro do ano passado, a reportagem da Folha esteve no Fórum e constatou praticamente os mesmos problemas. Passaram-se nove meses e o prédio que abriga grande parte dos trabalhos do Poder Judiciário continua em estado lastimável.
Na porta de um dos banheiros femininos, a inscrição: ‘‘Favor não abrir essa porta. Por motivo de segurança’’. O alerta, que serve também para outros banheiros, é apenas um reforço à porta trancada. A situação dos banheiros interditados, um feminino e um masculino, realmente oferece perigo - o forro está desabando. Os banheiros liberados estão em péssimas condições de uso.
As teias de aranha, presentes em todos os cantos, demonstram descaso com a conservação. ‘‘Fazem parte da decoração do prédio’’, ironiza uma funcionária, que prefere não se identificar. Preocupada com a estrutura do prédio, que apresenta rachaduras na maioria das paredes, ela conta que todos os dias, antes de entrar no Fórum, faz o sinal da cruz. ‘‘É para me proteger, tenho medo disso aqui desabar. E não sou só eu. Tem várias pessoas que não entram aqui sem se benzer.’’
Advogada Fátima Luchesi: ‘É uma falta de respeito’
Essa mesma funcionária explica que a equipe de limpeza do Fórum é muito pequena e que falta material. ‘‘Mesmo assim, a maneira como o prédio foi projetado impede a limpeza em vários lugares’’, diz, apontando para um ninho de passarinho abandonado no teto, local praticamente inacessível. Um espaço no primeiro piso foi reservado para um jardim, mas apenas uma ou duas folhagens teimam em crescer no ambiente pouco favorável. ‘‘Essa terra forma uma poeira danada. Dá nojo. O prédio é muito malfeito’’, critica a funcionária.
A advogada Fátima Luchesi divide a mesma opinião. Ela vai ao Fórum frequentemente e avalia as condições de conservação como insustentáveis. ‘‘É uma pocilga’’, define. ‘‘Afeta até o bom andamento do nosso trabalho.’’ Ela conta que várias vezes viu pessoas caindo nas rampas que dão acesso aos oito pavimentos do prédio, principalmente nos dias de chuva.
Fátima Luchesi reclama também dos móveis quebrados. ‘‘Há cadeiras em que não podemos encostar, porque caem. Outros móveis têm pontas e farpas e rasgam nossa roupa.’’ Para ela, a questão não é sequer conforto - ‘‘o que falta muito’’ - mas condições básicas de trabalho e de atendimento ao público. ‘‘É uma falta de respeito a quem trabalha e a quem é obrigado a vir aqui.’’
O diretor do Fórum, Toshirahu Yokomizo, reconhece que as reformas são necessárias, mas não há recursos para realizá-las. ‘‘Temos apelado para o bom senso. Algumas reformas, mais simples, os profissionais da Prefeitura têm realizado. Já chegamos a pagar algumas com dinheiro do bolso.’’
O diretor do Fórum explica que as verbas para qualquer reforma ou aquisição de material para o Fórum são destinadas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. Yokomizo esteve no dia 30 de junho em Curitiba, na tentativa de trazer recursos necessários à reforma. A viagem foi infrutífera. ‘‘O presidente do Tribunal, Henrique Lenz Cesar, apresentou boa vontade, mas não teve condições de atender às nossas reivindicações.’’

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