Cão rottweiler ataca menina de 3 anos
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de março de 1999
Zeca Leite 
Luana Tadaieski, 3 anos, que foi atacada por um cão da raça rottweiler, em Almirante Tamandaré (Jardim Bonfim), na Região Metropolitana de Curitiba, está fora de perigo, embora ainda inspire cuidados. A menina deu entrada no Hospital Cajuru, às 19h30 da última sexta-feira, com lesões na face e perfurações da glândula salivar e do crânio, segundo informações prestadas pelo hospital. O delegado Maurício de Oliveira disse que vai abrir inquérito para apurar a responsabilidade do padrasto da menina, que é o dono do cachorro.
Os pais da criança negam-se a falar sobre o assunto. Sabe-se, porém, que o cão pertence à família há um ano. No final da tarde de sexta-feira Luana foi brincar com o cachorro e o cutucou com uma madeira, sendo atacada por ele. A mãe, com a ajuda de vizinhos, conseguiu salvá-la. A menina foi submetida a uma neurocirurgia, devido à perfuração de osso do crânio. O ferimento não afetou o cérebro. Devido aos inchaços no rosto da menina, ainda não é possível saber se haverá necessidade de operação plástica.
Os cães da raça rottweiler estão entre os mais selvagens, e nos últimos meses vêm ganhando noticiário pelos frequentes ataques especialmente à crianças. Há poucos dias a vereadora Nely Almeida (PMDB) conseguiu aprovar lei municipal que obriga proprietários de cães ferozes a colocarem focinheiras quando saírem com eles às ruas.
Na sua justificativa, a vereadora argumentou com números: anualmente cerca de 7 mil pessoas são atacadas por cachorros em Curitiba, a grande maioria dentro de suas próprias casas. De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal da Saúde, em 1997 houve 907 casos em praças e parques, 517 em estabelecimentos comerciais e 5.576 em suas próprias residências. Para Nely Almeida, a medida de colocar focinheira é uma forma de disciplinar os proprietários que não sabem educar os animais.
Sem especificar de que forma haverá fiscalização para que a nova medida seja cumprida, a lei tem tudo para não dar certo. O prefeito Cássio Taniguchi (PFL) declarou que a Prefeitura não tem condições de cuidar do assunto por uma simples razão: faltam funcionários. Disse ele que as secretarias do Urbanismo e Meio Ambiente têm apenas 130 fiscais para cuidar de 417 áreas de lazer, que incluem 26 parques e bosques, locais onde se concentram maior número de cães. Mesmo que entre em funcionamento, a lei não conseguirá diminuir o alto índice de acidentes que ocorrem dentro de casa.


