Conhecido como o melhor amigo do homem, o cachorro tem demonstrado que pode não ser tão fiel assim. A necessidade de ter segurança em casa tem levado muitas famílias a optar pelos cães de guarda e aí acontecem os acidentes. Nem sempre preparado para lidar com um animal feroz, o próprio dono pode virar vítima dos ataques daquele que deveria protegê-lo dos ladrões. Apesar de adestrado, o cão não sabe distinguir quem entra para roubar de quem quer brincar com ele.
Alguns casos registrados no Estado têm chamado a atenção. O mais recente é o do bnaqueiro do jogo do bicho de Apucarana, Mario Tamyia, 58 anos, que foi morto pelos próprios mastins napolitanos, que criava desde filhotes.
Durante muito tempo, a raça mais procurada para guarda era o pastor alemão. Outras raças acabaram ganhando espaço como o rottweiler, mastim, dobermann, fila, pit bull. O pastor alemão é tido como um cão dócil, inteligente e pesa no máximo 55 quilos.
Os cães da raça mastim são considerados os mais difíceis para o adestramento. Chegam a atingir até 90 quilos e são extremamente fortes. Costumam agir por reflexos. Por ter um porte avantajado, a força de uma única dentada pode matar a vítima. Quando o mastim ataca ele vai direto ao pescoço ou à cabeça. O rottweiler também é feroz, mas age em silêncio. No momento do ataque ele não late.
O adestrador de cães Lourenço Bottini, 56 anos, 28 dos quais dedicados à profissão, ensina que cães de guarda devem ser adquiridos ainda filhotes, nos primeiros 90 dias de vida. Segundo ele, um cão adulto dificilmente vai se adaptar a uma família que não conhece. Já o filhote é dócil e, por isso, aceitará os treinamentos com facilidade.
Obediência Um cachorro de comportamento ‘‘normal’’ leva de três a quatro meses para ser adestrado. Mas existe aqueles que não são passíveis de adestramento por apresentarem um temperamento que não admite obdiência. Esses cães, muitas vezes, acabam sendo sacrificados.
Bottini diz ainda que os cães não devem ficar presos o tempo todo. ‘‘É preciso soltar o cão no quintal e levar para passear sempre que possível’’, ensina. Ele acredita que assim o cão vai aprender a conviver com as pessoas. ‘‘Quando os cães de guarda atacam alguém que eles conhecem, geralmente é porque a pessoa, ao se aproximar, demonstrou uma reação diferente das habituais’’, afirma.
Os cães não têm uma visão muito nítida, mas o faro e a audição são bastante aguçados. Eles percebem o cheiro do dono e reconhecem passos e voz. Os animais sabem perfeitamente quando alguém não vai com o focinho deles. Se a pessoa tentar se esquivar e aparentar medo, eles não hesitam em atacar. Mas quando sabem que estão em ‘‘terreno seguro’’, pulam, lambem, cheiram e mordem suavemente para expressar carinho.
Quem tem cachorro e criança em casa precisa ter cuidados redobrados. Normalmente, os cães gostam de crianças, mas o cachorro adulto já não tolera brincadeiras como o filhote. As crianças muitas vezes acabam irritando o cachorro, sem querer.
Assassinos Os cães da raça mastim que atacaram Mário Tamiya foram examinados por uma equipe do Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O chefe da divisão clínica e cirúrgica de pequenos animais do HV, Pedro Camargo, afirmou que não foi observada nenhuma anomalia nos cães. ‘‘Foram até examinados sem mordaça’’. Nas radiografias não foi visto nenhum objeto estranho.
Os cachorros sempre foram acompanhados por profissionais do HV e consta nas fichas que nunca demonstraram agressividade além do normal para a raça. Segundo Camargo, os cães estão clinicamente saudáveis. Ele descartou a hipótese de que estivessem com raiva.
As vítimas mais frequentes dos cães de guarda são os carteiros. Segundo a agência regional dos Correios, somente este ano 17 carteiros sofreram ataques de diversas intensidades.

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