Marcos Negrini





SustoMarcelo
Mariotto
levou
mordidas
em todo
o corpo
e quase
perdeu
orelha;
na foto central,
Thiago
Kescher,
atingido
no braço;
o cachorro
sem raça,
dócil,
segundo
o dono



Um cachorro sem raça quase arrancou a orelha do estudante Marcelo Mariotto, 9 anos, anteontem em Sarandi (7 km de Maringá), depois de escapar da coleira e do quintal da casa e atacar outra criança e uma mulher, todos vizinhos do proprietário do animal. Segundo versão do estudante Thiago André Kescher, que levou quatro mordidas no braço direito, o animal fugiu quando o filho do proprietário, Leandro, abriu o portão. Thiago foi chamar o vizinho para jogar bola, quando o cachorro escapou e saiu atacando as pessoas que estavam na rua. ‘‘Sempre que a gente passa lá o cachorro late muito’’, disse Thiago.
Depois de investir contra Thiago, o cachorro correu até uma outra vizinha, Clotilde Alves da Silva, 37 anos, que levou algumas mordidas e arranhões nas costas. O animal atacou em seguida Marcelo Mariotto, que assustado correu por uma picada que dá acesso ao campo de futebol. A irmã dele, Amanda, disse ontem que Marcelo caiu. ‘‘Escutei os gritos mas só percebi a gravidade dos machucados quando ele chegou em casa com parte da orelha pendurada’’, contou.
Todas as vítimas foram encaminhadas para o pronto-socorro municipal de Sarandi e Marcelo foi transferido para a Santa Casa de Maringá, onde passou por cirurgia para reimplantar a orelha. Ontem ele continuava internado e deve ser submetido a novos exames. Além da orelha, Marcelo foi mordido nos braços, costas, peito e pernas. Segundo a irmã Amanda, é impossível saber ao certo quantas mordidas o irmão levou. Ela garantiu que o animal é feroz.
As crianças da rua concordam com a irmã da vítima e dizem que o cachorro, que fica sempre trancado dentro do quintal, é muito bravo. O dono do animal, José Leite, disse ontem à Folha que as crianças costumam insultar o cachorro quando passam na frente da casa. ‘‘O cachorro é novinho e muito dócil, tanto que brinca com meu neto de quatro anos e nunca aconteceu nenhum acidente’’, disse. A filha dele, Maria, garantiu ontem que antes de atacar as vítimas o cachorro passou por outro vizinho sem ao menos latir para o homem.
A polícia informou ontem que está investigando o caso e que se for constatada negligência por parte de Leite, será aberto inquérito por crime de lesões corporais contra o responsável pelo animal. Este foi o terceiro caso de ataque de cães registrado no Paraná em 20 dias. No início de março sete animais mataram Gleike Aparecido Pego, 2 anos e cinco meses, em uma fazenda no município de Quinta do Sol. No sábado passado Joaquim Nascimento Costa, 44 anos, morreu em Curitiba depois de ser atacado pelo cachorro mastim napolitano que criava em casa.

mockup