Insetos barulhentos, as cigarras começam a entoar seu canto estridente nos finais de tarde em vários pontos de Londrina, anunciando a chegada dos meses mais quentes do ano. No canteiro central da Avenida Leste-Oeste, milhares dos pequenos animais fixaram-se no tronco das árvores, chamando a atenção dos pedestres.
A curiosa presença tem explicação científica. De acordo com o biólogo Antônio Alberto dos Santos Neto, que estuda insetos no doutorado realizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), as cigarras são habitantes do subsolo que sobem à superfície nesta época do ano apenas para se reproduzir.
''Elas costumam aparecer entre meados de setembro e dezembro. Neste ano, atrasaram por causa do excesso de chuva'', explicou ele. Ao contrário da história contada por La Fontaine na fábula ''A Cigarra e a Formiga'', elas não cantam durante todo o verão. ''O barulho é emitido apenas pelos machos para chamar a fêmea na época do acasalamento'', informou, acrescentando que a espécie Quesada gigas, comum na Zona Urbana de Londrina, pode produzir sons de até cem decibéis. ''É ensurdecedor''.
Depois da cópula, o macho morre e as fêmeas põem os ovos sobre as árvores, morrendo pouco tempo depois. ''Elas ficam na superfície por no máximo 20 dias'', disse. Quando os ovos eclodem, dão origem às ninfas, que imediatamente enterram-se em busca de proteção e alimento, encontrado na seiva das raízes.
''As cigarras podem ficar enterradas por até três anos. Passam por vários estágios, delimitados por trocas do exoesqueleto (similar à pele dos mamíferos). A última muda acontece na superfície, quando ganham asas e reiniciam o ciclo'', explicou, esclarecendo que as ''cascas'' observadas nas árvores deram origem ao mito de que as cigarras ''explodem'' de tanto cantar. ''Na verdade, é apenas a última muda do exoesqueleto.''
Outra lenda é que elas urinam quando tiradas da árvore. O líquido que exalam, entretanto, é apenas a seiva das plantas filtrada. ''Não há qualquer risco para as pessoas.''
Na cadeia alimentar, as cigarras são consumidas por pássaros e anfíbios. Na lavoura, algumas espécies constituem pragas de cafeeiros, sugando as raízes das plantas. Para o biólogo, a melhor forma de controlar é manter os predadores naturais. ''O uso de inseticidas acaba também com os predadores, aumentando o problema a longo prazo'', avaliou.

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